A perda de água em Bauru está dentro da média nacional. Estima-se que 40% da água que entra no sistema de abastecimento ficam pelo caminho. Parte dessa água sobe para a superfície e parte fica apenas no subterrâneo, mas em ambos os casos podem ser uma das principais causas das depressões provocadas no asfalto. Não é raro encontrar um buraco na rua e debaixo da camada de asfalto está oco, o que representa um grande risco para quem circula pelo local.
De acordo com o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, Rafael de Almeida Ribeiro, o ideal de desperdício apontado por estudos é de 20%. Embora considere esse percentual ainda muito alto, ele acredita que é possível chegar a esse patamar com um trabalho mais aprofundado de levantamento das perdas.
Para isso, a autarquia iniciou estudos visando a contratação de uma empresa para detectar os vazamentos não visíveis - aqueles que ficam apenas no subterrâneo. Segundo o presidente, o DAE não tem capacidade para detectar esse tipo de vazamento. “Só descobrimos quando brota na rua, mas até chegar na superfície muito se perdeu”, comenta.
Ele conta que os equipamentos usados para a detecção dos vazamentos são semelhantes àqueles utilizados para encontrar minas explosivas. De preferência, o serviço tem de ser feito à noite, quando o ruído nas ruas é menor.
“O DAE não tem como treinar uma equipe e nem tem equipamentos para isso. E o trabalho tem de ser feito em um horário diferenciado”, diz Rafael.
A empresa, que será contratada por meio de licitação, vai fazer um mapeamento de onde estão os vazamentos mais críticos e orientar ações de reparos. De acordo com o presidente, pode ser que os trabalhos fiquem mais focados na região central e oeste da cidade, onde a rede é mais antiga.
A autarquia não tem uma estimativa do tamanho do prejuízo provocado pelos constantes vazamentos de água. Mas sabe que se diminuir a quantidade de buracos na tubulação aumentará na mesma proporção a receita. “É um dinheiro que deixar de entrar nos cofres”, afirma. Segundo ele, a empresa faria o trabalho até que o DAE consiga equilibrar o sistema.
De acordo com o presidente, são três os principais motivos que levam ao desperdício de água. Um deles é o movimento de dilatação e contração, provocado por alterações climáticas. O outro motivo é a instalação da rede muito próxima à superfície. A movimentação constante de veículos pesados danifica a tubulação. E, por fim, o desgaste natural do material é outra razão para as rachaduras.