08 de julho de 2026
Geral

Feiras devem usar gestão de negócios

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

A preocupação com estratégias de vendas extrapolou as paredes dos escritórios do mundo corporativo e já se faz necessária para até mesmo quem ainda ‘vende o peixe’ da forma mais tradicional e, em muitos casos, informal.

Apontada como a salvação da lavoura para uma modalidade de mercado que, mesmo tradicional, estaria na iminência de uma debandada geral de vendedores e fregueses, a gestão de negócios, atestam pesquisadoras de Bauru, é mais do que necessária nas feiras livres (leia mais na página 11).

A constatação está em uma monografia recém-concluída por Elaine Cristina Gomes de Moraes e Jane Marlene de Souza, do curso de especialização “Gestão Integrada: pessoas e informações”, das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). No trabalho, elas defendem a modernização das feiras livres como forma de mantê-las fortes perante a concorrência cada vez mais aprimorada de grandes empresas do setor varejista.

Sob orientação do professor Carlos Henrique Carobino, coordenador do curso de graduação e pós em administração e recursos humanos da FIB, as especialistas ouviram mais de 70 feirantes sobre a necessidade da modernização chegar às barracas, além de terem visitado feiras livres de outras cidades, tidas como referência no suporte ao feirante.

“A tradição não sustentará as feiras por muito tempo”, considera a pesquisadora Jane, cujo trabalho enfocou principalmente a feira da rua Gustavo Maciel, em Bauru. Apesar de não citadas no texto acadêmico, feiras de cidades como Osasco, Marília e Londrina (PR) são, de acordo com as autoras, bons exemplos de estratégia comercial, seja na questão do marketing, leque de atrações e associativismo entre os feirantes.

“No Paraná há uma cooperativa, incentivada pela prefeitura, que ensina desde como produzir até as vendas. A cooperativa absorve a produção e monta a feira, composta por bancas padronizadas, além de praça de alimentação. Em Marília tinha até conjunto musical tocando. Usamos como parâmetro de comparação”, argumenta.

Aperfeiçoamento

As autoras defendem que, apesar de muitos feirantes se preocuparem em melhorar as condições de trabalho e, consequentemente, o atendimento ao cliente, muitos se encontram perdidos na busca pelo aperfeiçoamento. “O conhecimento, na maioria dos casos, é empírico, pois a maioria deles é formada de produtores”, diz Jane.

O risco de até mesmo desaparecimento dessa tradicional forma de mercado, acentuam, se dá pela não renovação tanto no quadro de vendedores quanto de consumidores. “As pessoas buscam os produtos frescos da feira, mas não tem muito jovem”, observa Elaine Cristina, que também leciona nos cursos de turismo e recursos humanos da FIB.

A professora defende que a feira da Gustavo Maciel, especificamente, é um ponto turístico da cidade e, assim como outros pontos da mesma modalidade comercial, merece uma atenção do Poder Público e instituições de aprendizagem empresarial. “Há uma ausência em gestão estratégica”, pontua, ao isentar a Associação dos Feirantes de Bauru (AFB), que, endossa, se empenha em campanhas de propaganda e na busca por aperfeiçoamento de seus congregados, apesar das dificuldades que encontra.

Pontualmente à feira da Gustavo Maciel - ao todo são 25 em Bauru -, as autoras ressalvam que a exposição de mercadorias é a única regulamentada da cidade. Contudo, ainda falta muito para que a tradicional concentração de barracas se torne, de fato, modelo.

“Falta padronização, uma praça de alimentação ideal. Existe a tradição do pastel na feira, mas há necessidade de melhor estrutura”, frisa Elaine, que enaltece a necessidade de preservação do ramo. “É um universo fantástico, que não deve terminar. Para isso, enfatizamos a importância da gestão estratégica de negócio”, acentua.