09 de julho de 2026
Regional

4 cidades da região estão sem delegados

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Em pelo menos quatro cidades da seccional de Bauru há falta de delegado de polícia titular, mas a defasagem está estimada em torno de 25% a 30% na área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), composta de 89 municípios. A falta de atrativos salariais é um dos motivos da falta de profissionais que se interessem pelo cargo que envolve perigo de morte, acredita a Associação dos Delegados do Estado de São Paulo.

O salário inicial para quem passa no concurso público no Estado de São Paulo é de R$ 3,6 mil, bem abaixo da média salarial da maioria dos Estados brasileiros. Quem ocupa o mesmo cargo na Paraíba recebe R$ 8,5 mil, inicial, conforme dados da associação dos delegados.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) contesta o argumento da defasagem salarial e garante que o Estado de São Paulo recompõe constantemente seus efetivos policiais. Desde 2007, segundo o órgão, são mais de 22 mil novos policiais civis e militares, entre os contratados e as vagas autorizadas em concursos.

De acordo com a SSP, a distribuição de efetivo, tanto da Polícia Civil como da Militar, leva em conta critérios técnicos como: população residente, pendular (pessoas que trabalham na cidade, turistas) e índice de criminalidade.

A Secretaria de Segurança Pública explica que em novembro de 2009 180 novos delegados se formaram e assumiram o cargo. Desse total, 76 foram designados para o Interior, em uma reestruturação que beneficiou todo o Estado.

Mas a falta de um delegado de polícia fixo no município acarreta inúmeros prejuízos à segurança pública e afeta a vida dos cidadãos de bem. Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru), Arealva (41 quilômetros de Bauru), Macatuba (46 quilômetros de Bauru) e Borebi (45 quilômetros de Bauru) estão sem essa autoridade que durante muitos anos foi sinônimo do cumprimento da lei.

Em Macatuba, a administração municipal está lutando para que seja designado um delegado titular que possa dar agilidade aos documentos emitidos pela Ciretran, investigar uma série de furtos e roubos e prender os traficantes que levam crack para o município. A reclamação é geral. A emissão e renovação de CNH têm demorado tanto que há moradores proibidos de dirigir.

Para a Associação dos Delegados do Estado de São Paulo, a carência de delegados de polícia vai continuar existindo e as vagas não serão preenchidas enquanto o governo estadual continuar com essa política salarial ruim. A presidente da entidade, delegada Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, é enfática em dizer que a tendência é piorar.

“O cargo não tem atrativo. Quem presta concurso continua estudante e migra para outros Estados ou parte para outra carreira. Os (cargos) vagos são progressivos. Recentemente entraram 180 que ficaram na Capital para que muitos retornassem a sua cidade de origem.”

As cidades de Arealva, Borebi e Cabrália Paulista não se manifestaram sobre o assunto.