08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O SEGREDO INDEVIDO


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O assunto é a interminável e nebulosa venda/compra da estação ferroviária da antiga NOB, que na última 5ª feira ainda ocupou espaço no JC. Interminável por motivos óbvios, é só pesquisar há quanto tempo esse assunto está no noticiário e de forma nebulosa, porque informações importantes são sonegadas da opinião pú-blica. O sindicato dos ferroviários se habilitou junto à Justiça do Trabalho a ter bens da antiga RFFSA como garantia de pagamento de direitos trabalhistas de seus afiliados. É uma entidade de direito privado e tecnicamente não precisa prestar contas à população.

Não precisa, mas deveria, pois está se beneficiando de bens públicos para ver saldados dé-bitos com os seus associados e, além disso, se trata de bens de valor histórico incontestável. Na Justiça, e ela é cuidadosa nisso, os bens dados em garantia são sempre próximos ao valor do débito e quando vão à praça as contas são feitas e o que sobra é encaminhado ao executado e se, por ventura, falta, o executado continua em débito com o credor. O montante pago e a ser pago pela prefeitura é o suficiente para cobrir os débitos trabalhistas integrados à ação que levou a Estação da NOB ser dada como garantia de pagamento dos mesmos? Até agora isso parece ser segredo de poucos. Por se tratar de bem público, se não por isso, que seja pela ética, essa contabilidade deveria vir à luz tão logo a prefeitura efetuasse o pagamento.

Isso não aconteceu e, portanto, não sabemos até aonde vai ser comido o patrimônio público com o objetivo de saldar o débito traba-lhista. Já estão tratando de uma segunda venda e nem a prestação das contas da primeira ocorreu. Que país é este?

Sérgio S. Pontenero - professor aposentado