08 de julho de 2026
Internacional

Para Vaticano, pedofilia deve ser tratada com rigor e sem hipocrisia


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Cidade do Vaticano - O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou ontem que os escândalos de pedofilia que atingem duramente a Igreja Católica em diversos países devem ser tratados com rigor e sem hipocrisia. Lombardi afirmou, ainda, que o Vaticano será capaz de superar a nova crise, que chegou a atingir até mesmo o papa Bento XVI, acusado de acobertar padres acusados de abusos.

“Este é um tempo de verdade, de transparência e de credibilidade. O segredo e a reserva não são valores que vão para o melhor. É preciso estar em condições de não ter nada a esconder”, disse Lombardi.

“O preço que estamos pagando diz que nosso testemunho deve ir na linha do rigor e da recusa de qualquer hipocrisia”, assegurou, durante discurso no encontro “Testemunhas digitais. Rostos e linguagens na era da mídia”, promovido pela Conferência Episcopal Italiana (CEI).

“Devemos levar alegria, lealdade e verdade. Devemos ser testemunhas críveis daquilo que dizemos e fazemos, para que se entenda que dentro de qualquer palavra há nossa mente e nosso coração”, acrescentou.

O porta-voz disse ainda que é necessário “tentar colocar-se no ponto de vista do outro, compreender suas perguntas e a mentalidade, para fazer um caminho juntos”. Para ele, o Vaticano é capaz de identificar suas feridas sinceramente e obter a graça da cura.

Mais cedo, em um texto publicado no site da Rádio Vaticana, Lombardi lembrara da reunião mantida entre o papa Bento XVI e oito vítimas de abuso sexual por religiosos católicos, durante sua viagem a Malta, no final de semana passado.

Ele comentou que o evento “encontrou seu significado de esperança no contexto do encontro do papa com uma Igreja viva e no caminho, capaz de reconhecer suas feridas com sinceridade, mas também de obter a graça do renascimento”.

“O modo com o qual alguns participantes falaram tocou em profundidade inúmeras pessoas: um grande peso foi removido de seus corações, a cura estava sendo iniciada, a confiança e a esperança renasciam”, explicou.

Renúncias

Vários bispos renunciaram nas últimas semanas, a maioria sob o peso da acusação de que acobertaram padres acusados de abuso sexual de crianças. Anteontem, o bispo há mais tempo em serviço da Bélgica, Bruges Roger Vangheluwe, renunciou após assumir que abusou sexualmente de um garoto como padre e depois de se tornar bispo.

Ele foi ordenado padre em Bruges aos 26 anos. Ele foi indicado como bispo da cidade histórica em 1984, aos 48 anos, cargo que manteve por 25 anos até sua renúncia ontem. Ele deveria se aposentar no ano que vem.

Além dele, na quinta-feira, o papa Bento XVI finalmente aceitou a renúncia do bispo irlandês James Moriarty, o terceiro bispo da Irlanda a deixar o cargo só nos últimos quatro meses, após entregar renúncia em dezembro do ano passado. Ele e outros líderes encobriram casos de abusos de crianças cometidos por padres por 30 anos.

Na Alemanha, o bispo de Augsburg (no Sul do país), Walter Mixa, também apresentou pedido de renúncia a Bento XVI após acusações de violência física contra alunos de um orfanato nos anos 1970 e 1980. Depois de ter negado em um primeiro momento as acusações, o bispo admitiu ter cometido os abusos aos alunos no período em que esteve à frente do orfanato, e pediu desculpas pelos seus atos.