11 de julho de 2026
Geral

Para diretora de escola, há falta de interesse em aprender língua pátria

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Saber falar e escrever corretamente a língua pátria deveria ser uma coisa natural, mas o que se vê na realidade e na atualidade é um certo desinteresse em aprender o português.

Na avaliação de Cristina Atarian Ranchod, diretora da escola Fisk em Bauru, que também oferece o curso de português para brasileiros, os alunos encaram o aprendizado do idioma como uma obrigação. Não há uma familiaridade com os tempos verbais e há pouco interesse em ir além do que se pede nos livros escolares.

Ela conta que é bastante comum chegar nas mãos dela dissertações de mestrado para serem traduzidas para o inglês com erros de português. São trabalhos de pessoas que passaram quase a vida toda sentadas em um banco escolar e não aprenderam a escrever corretamente.

E a deficiência não é apenas na hora de escrever. Cristina conta que muitos alunos têm dificuldades para se expressar em uma redação. Eles não entendem o enunciado, com isso, desenvolvem de forma errada o tema, além de possuir um vocabulário pobre.

“Falta muita leitura e praticar mais o idioma. Quando ele é exigido, surgem as dificuldades”, observa.

Em seus 12 anos como professora de português, a coordenadora dos cursos de línguas da Focus Idiomas, Alecssandra Otsuka, constatou, por diversas vezes, que a dificuldade não é apenas da população mais humilde. Brasileiros das classes sociais mais elevadas, profissionais bem-sucedidos e até mesmo professores cometem deslizes. Segundo ela, há pessoas que falam bem o inglês mas pecam no português, principalmente na escrita.

“Antes de escrever bem, o brasileiro precisa falar bem. As pessoas precisam falar sem vícios de linguagem, neologismos, e falar bem não significa falar difícil, falar palavras que não são habitualmente usadas”, frisa.

Segundo a coordenadora, as pessoas que buscam o curso para falar melhor, em sua maioria, são professores de português, secretários, atendentes do público, candidatos a vagas de emprego e candidatos em universidades.

Um dos objetivos do curso é ensiná-los a falar e escrever de maneira culta (sem rebuscamento), sem os vícios de linguagem ou gerundismo, como as condenáveis expressões “vou estar falando”, “vou estar enviando”, “vou estar ligando”, etc.

A escola de idiomas CCAA também oferece o curso e tem até material pronto para usar, mas não tem turma formada. De acordo com o diretor da unidade localizada na avenida Nações Unidas, Luiz Silvestre, houve pouca divulgação do curso. Ele acredita que por causa disso, a procura tem sido pequena. Segundo ele, os poucos que têm procurado são pessoas que querem buscar um emprego melhor ou pensam em uma promoção dentro da empresa em que trabalham e não querem passar vergonha com o português precário.