10 de julho de 2026
Política

Gasparini: acordo desperdiça juro menor

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Édison Bastos Gasparini Júnior, lamentou, ontem à noite, a aprovação pela Câmara Municipal de Bauru de valor suficiente para cobrir apenas R$ 46 milhões de R$ 175 milhões que vão vencer nos próximos meses, fruto da dívida de resíduos habitacionais da companhia com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Para Gasparini Júnior, os vereadores avançaram na discussão, mas não compreenderam que financiar R$ 46 milhões em 17 anos vai exigir o mesmo desembolso, em parcelas, do que utilizar títulos federais (CVS) para cobrir desde já os R$ 175 milhões devidos ao FGTS. “Nós vamos, com esta lei aprovada pela Câmara, ter de pagar mais de R$ 400 mil por mês a mais para a CEF, mas para acertar apenas R$ 46 milhões. Com o pagamento dos contratos em até R$ 175 milhões, nós teríamos parcela de cerca de R$ 600 mil, mas com redução de juros e acertando muito mais”, abordou.

Segundo ele, a Cohab vai ter de desembolsar valor mensal parecido para quitar uma parte menor da dívida. “Eu expliquei isso, mas os vereadores não entenderam. Retiraram do acordo os contratos que tinham juros de 6% e prazo menor para pagar, que seriam trocados por juros de 4% e com 17 anos para quitar. A média ponderada dos juros, ao final, iria incluir o acerto de muito mais dívida com valor parecido de parcela. O município vai se sacrificar mais para resolver uma parte menor da dívida com o FGTS”, ressaltou.

A Cohab também salienta que os próximos contratos, não autorizados para financiamento pelo projeto aprovado ontem no Legislativo, vão exigir outra autorização, porque senão caso contrário estes compromissos vão, em breve, entrar na mesma fila da execução.

Ou seja, para a companhia a lei não vai resolver o problema, porque foi incluída emenda para autorizar financiamento apenas para o contrato que já está em execução e com notificação realizada pela Justiça, referente a R$ 46 milhões referentes a 3.000 casas construídas em Marília, em 1976. “Nós temos já protocolados na Justiça as execuções de Tupã (R$ 1,1 milhão para 218 casas), Botucatu (R$ 19 milhões para 1.583 casas) e Piratininga (R$ 1 milhão para 147 casas). Esses contratos também estão em execução e venceram em 2009. Vamos perder a redução dos juros e ter de voltar a discutir a execução do que ficou de fora, ainda neste ano”, ressalta o presidente da companhia.