09 de julho de 2026
Geral

Regras dificultam descarte de pneus

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Sem fazer qualquer comunicado oficial, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) tornou mais rigoroso o controle do material descartado no aterro sanitário. A iniciativa, que tem como meta a profissionalização dos procedimentos, tornou-se alvo de reclamações por parte de Valdomir Antonio do Nascimento, proprietário de uma borracharia.

Como faz há dois anos, ontem ele fretou um caminhão para levar até o aterro 80 pneus inservíveis. Perdeu a viagem porque não havia feito o cadastramento prévio e o consequente agendamento, agora necessários. “Nunca pediram nada disso”, queixa-se. Se até o final da tarde de ontem não conseguisse descarregar o frete, pelo qual pagou R$ 50,00, o desembolso seria bem maior.

Nascimento também demonstrou preocupação com a possibilidade de ser multado pela Vigilância Sanitária, uma vez que, sem o descarte, acumula material capaz de tornar-se criadouro do Aedes aegypti, transmissor da dengue. Para evitar a proliferação da doença, a Emdurb adota alguns cuidados. Mantém no aterro os pneus cobertos (quando a área de cobertura está lotada, os coloca ao lado, sob lona) e autoriza nebulização no local realizada pela própria Vigilância.

Ontem, estavam acondicionados no aterro cerca de 7 mil pneus, segundo estimativas da Emdrub. Recentemente, passaram a ser retirados no local, em média, duas vezes por semana por profissionais da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos. Antigamente, a retirada levava cerca de dois meses, situação que provocou o acúmulo de mais de 10 mil pneus. O material é enviado para Bragança Paulista para tornar-se matéria prima para pavimentação e para a indústria de cimento.

Responsabilidade

“Antigamente, todo mundo chegava em qualquer horário. Agora, não. Precisa de autorização. Com o cadastramento vamos saber a procedência, qual o volume”, explica o presidente da Emdurb, Nico Mondelli. De acordo com ele, o rigor não contempla apenas pneus, como também outros tipos de descarte - como lixo orgânico e hospitalar (neste último caso, o aterro só recebe o colhido nas unidades municipais).

“A Emdurb se responsabiliza pelo material. Se precisarmos chegar à origem, será possível. Faltava esse controle. Agora vamos trabalhar de outra maneira. Vamos colocar pessoas técnicas para uma gestão mais profissional. Será organizado, com regras”, acrescenta Nico Mondelli. Ontem, ele contemplou três meses à frente da Emdurb. Há um pouco mais de um mês, contratou a gerente ambiental Flávia de Souza para tratar especificamente do aterro.

Nico Mondelli garante que as novidades foram bem recebidas pelos funcionários, que consideram importante ter um procedimento a seguir. Vários trabalhadores estão passando por treinamento. O trâmite, inclusive, contempla orientações da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), informa Flávia.

Até que o controle fosse estabelecido, restava ao interessado pesar o caminhão com o material na entrada e na saída. Ele, então, recebia um documento carimbado pelo funcionário do local. Por enquanto, o trâmite será mantido, inclusive com a contagem dos pneus. É possível que, posteriormente, seja realizado apenas o cálculo do material, informa Flávia de Souza.

• Serviço

Cadastramento e agendamento devem ser feitos junto à Diretoria de Limpeza Pública (DLP). Está situada na travessa Manoel Garcia (altura da quadra 9 da rua Aparecida), no Jardim Santana. Informações: (14) 3232-8449.