Brasília - Por 20 a sete, a Executiva do PSB aprovou ontem a retirada da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência. Segundo integrantes do partido não houve discussão sobre as negociações entre o partido e o PT nos Estados, mas reservadamente esperam que ocorra algum avanço para as próximas semanas.
Ciro não participou da reunião da Executiva do PSB. O presidente da legenda, Eduardo Campos, afirmou que poderia se encontrar com Ciro ainda ontem para comunicar a decisão.
Na semana passada, Ciro criticou a pressão do presidente Lula para que o PSB retirasse sua pré-candidatura. Lula defendia a união da base em torno da petista Dilma Rousseff. Em entrevista ao portal iG, Ciro disse que Lula “viajava na maionese” e se achava o “todo poderoso”. Desde então, em seguidas entrevistas, Ciro vem dizendo que o pré-candidato tucano José Serra é mais preparado que Dilma para a disputa.
Apesar das críticas, o Planalto evitou rebater Ciro. Dilma chegou inclusive a elogiá-lo ontem. O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, afirmou que Ciro foi um homem “leal” ao presidente, por isso suas palavras não foram mal interpretadas pelo Palácio do Planalto.
Na semana passada, o PSB entregou ao coordenador político da campanha de Dilma, Fernando Pimentel, uma lista de exigências para um acordo nacional. Anteontem, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que esses acordos podem não sair.
O senador e pré-candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, afirmou que espera ter o apoio do PSB, que lançou a pré-candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “Se o PSB quiser vir para a coligação, será muito bem recebido”, disse Mercadante à Rádio Bandeirantes.
Mesmo diante do cortejo do PT, o PSB ainda resiste em abrir mão de lançar Skaf e negociar sua indicação como vice de Mercadante. “A possibilidade de o Skaf ser vice do Mercadante ontem é a mesma de o Mercadante ser vice dele”, disse o deputado Márcio França.