Assunção - Mais dois brasileiros foram presos ontem em Pedro Juan Caballero, na fronteira do Brasil com o Paraguai, informou por telefone a chefe de imprensa do Ministério do Interior paraguaio, Marisol Carrillo.
Segundo ela, os dois teriam ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e estariam envolvidos no ataque contra o senador Robert Acevedo, na última segunda-feira.
Os brasileiros foram identificados como Josué dos Santos e Daniel dos Santos pelo site do jornal paraguaio “ABC”, que afirma que os dois tentavam chegar à casa de um suposto narcotraficante no bairro de Maria Victoria.
Robert Acevedo é senador pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), e foi vítima de um atentado na cidade de Juan Pedro Caballero. O motorista e segurança pessoal que acompanhavam Acevedo morreram, e ele foi alvejado com dois tiros.
Proprietário de uma rádio, Acevedo é conhecido pelas duras críticas aos narcotraficantes que dominam a região de fronteira entre o Paraguai e o Brasil. Em entrevista à reportagem ele culpou o narcotráfico pelos ataques.
O estado de saúde do senador melhorou muito e ele pode ter alta entre a noite de ontem e a manhã de hoje, disse o irmão do senador, José Carlos Acevedo.
Ajuda brasileira
José Carlos também ressaltou a contribuição do governo brasileiro nas investigações do caso. “O Brasil está ajudando muito, as polícias civil e militar, a embaixada em Assunção, todo o esforço que estão fazendo auxilia para que o autores materiais e morais deste crime sejam rapidamente encontrados”, informou à reportagem por telefone.
Lugo promete investigar
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, visitou ontem o senador Robert Acevedo. Lugo prometeu investigar o que chamou de um atentado contra o Estado, além de aumentar a segurança na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira do Paraguai com o Brasil. As informações foram dadas à reportagem pelo senador paraguaio, por telefone.
Segundo Acevedo, o presidente do Paraguai classificou o ataque como um atentado contra o Estado, já que Acevedo é membro do Parlamento, e prometeu uma dura investigação sobre o caso.
Outra promessa do presidente foi de aumentar a segurança na cidade, com o envio de cerca de 150 soldados a Pedro Juan Caballero, capital de Amambay, um dos Departamentos (Estados) no norte do país declarados em estado de exceção pelo Parlamento paraguaio.
Lula
Dependendo de seu estado de saúde, Acevedo disse que pretende participar do encontro entre o presidente paraguaio e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 3 de maio, em Ponta Porã, na fronteira entre os dois países.
Segundo Lula, a violência não amedronta os governos dos dois países. “Acho uma insanidade alguém achar que pode, utilizando a violência, atirando no senador e matando o segurança do senador, ou ameaçando parceria com quem quer que seja venha, a colocar medo no Estado brasileiro ou no Estado paraguaio”, disse.