10 de julho de 2026
Internacional

Novo ataque a facadas em escola chinesa fere 28 crianças

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pequim - Ao menos 28 crianças e três adultos ficaram feridos ontem na cidade chinesa de Taixing (a sudeste de Pequim) quando um homem de 47 anos e aparentemente com problemas mentais entrou num jardim de infância portando uma faca de 20 centímetros e, sem motivo conhecido, os atacou. Cinco das crianças estavam até ontem à noite em estado grave, mas estável.

O ataque foi o segundo do tipo em dois dias na China e o quarto em pouco mais de um mês, motivando debate sobre as possíveis razões. Para analistas, a onda de eventos similares está ligada a tensões sociais decorrentes do acelerado desenvolvimento -e o aumento das desigualdades- do país.

Segundo relatos, pessoas que passavam, por volta das 9h30 (local), em frente ao jardim de infância ouviram gritos e acorreram em socorro das vítimas.

As crianças atacadas tinham na maioria até quatro anos de idade. Dos adultos feridos, dois eram professores da escola, e o terceiro, um segurança do local que tentou conter o agressor.

A agência oficial chinesa Xinhua identificou o autor do ataque como Xu Yuyuan, um desempregado de 47 anos de idade. Ele só foi contido após ser atingido por um extintor de incêndio por uma das pessoas que acorreram em socorro.

Ontem, um outro homem invadira uma escola primária na cidade de Leizhou (sul) e atacado estudantes com uma faca. Ao menos 18 ficaram feridos, além de um professor.

Poucas horas antes, o autor de uma agressão similar, contra crianças que presenciavam a aula ocorrida no mês passado em Nanping (também no sul), foi executado. Na ocasião, oito dos alvos do ataque morreram.

No dia 12 deste mês, um estudante de ensino médio e um professor foram mortos em circunstâncias parecidas em Xizhen (sul). Em 2004, a China já havia presenciado série de cinco atentados a faca num intervalo de dois meses -três ocorridos na próspera costa leste.

Possíveis causas

Embora nenhum dos ataques recentes tenha tido sua motivação conhecida, especialistas chineses apontavam ontem algumas das possíveis causas da onda de agressões em escolas.

Uma delas seria justamente a divulgação dos incidentes pela mídia local, motivando a reprodução dos ataques por pessoas propensas a cometer o crime.

Mas, para a maioria dos analistas, a raiz da onda de violência reside em problemas sociais e na crescente desigualdade decorrente do ritmo acelerado de desenvolvimento por que passa a China. Seria um indício disso a ocorrência dos ataques em cidades de intensa industrialização, sobretudo no sul-sudeste.

Outro fator apontado é o limitado apoio provido pelo Estado a estimados 173 milhões de adultos chineses que convivem com algum problema mental. Do total, só 90% possuem acompanhamento profissional tido como adequado.