O Ministério Público entendeu que não há elementos necessários para denunciar Diego Damião Coelho no processo referente a um grupo de pessoas do Jardim Tangarás, que submeteu a um “julgamento” um usuário de drogas, morto por eles no final do ano passado. Por essa razão, em 23 de fevereiro, o juiz Jaime Ferreira Menino determinou a expedição de um contramandado da prisão preventiva anteriormente decretada contra Coelho. Portanto, diferentemente do que o JC veiculou, ele não é foragido.
Na opinião do promotor Djalma Marinho Cunha Filho, não ficou demonstrado de forma segura que Coelho tenha estado no local do homicídio, nem que tenha agredido a vítima, Luís Eduardo de Jesus (leia texto abaixo). Mas dias antes da revogação da prisão preventiva e do pedido de expedição do contramandado, o magistrado havia decretado a prisão preventiva de oito acusados, inclusive de Coelho, pelo crime cometido no dia 4 de dezembro de 2009, ao acatar manifestação da autoridade policial e do próprio MP.
No entanto, até ontem à tarde, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) não havia recebido o documento. Sem ele, Coelho corre o risco de ser preso, explica o titular da delegacia Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva.
A DIG indiciou Coelho, assim como Edelvan José Miguel, Mário Gustavo dos Santos, Geraldo Ferreira Brandão, Michel Augusto Costa, Rubens Benigno Cecílio, André Luiz de Jesus Silva e Ronaldo Paulino dos Santos. Seis estão presos, sendo que resta cumprir o mandado de prisão preventiva contra Ronaldo. Os sete tornaram-se réus no processo. Coelho não.
Quando o juiz decretou a prisão preventiva em 10 de fevereiro, informou tratar-se de um crime praticado com excessiva violência em vingança contra Luís Eduardo de Jesus, que havia contraído uma dívida relacionada ao tráfico de drogas. Com a prisão, tentou assegurar a apuração do crime sem que houvesse intimidação de testemunhas. A vítima foi espancada até a morte. O laudo necroscópico informa que o óbito foi provocado por um trauma cranioencefálico, sendo verificados ferimentos internos e externos que sugerem tortura.
O processo que tramita no Fórum de Bauru está na fase de manifestação da defesa dos réus. Ainda não há previsão de quando o caso irá a júri popular (por ser homicídio), mas não deve ser para breve.
____________________
História
Segundo a Polícia Civil, no final do ano passado, um grupo de pessoas do Jardim Tangarás, submeteu a um “julgamento” um usuário de drogas, que posteriormente foi morto numa rua sem habitações do Jardim Manchester. A intenção dos envolvidos seria a de “limpar” o bairro dos constantes furtos, informou ao JC a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
De acordo com o titular da delegacia, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, a decisão de acabar com a vida da vítima não foi unânime. Três teriam sido contrários, mas nada fizeram para impedir o assassinato. Poucos dias antes do final trágico, Luís Eduardo de Jesus havia furtado crack de um coordenador do tráfico do Jardim Tangarás.
O responsável pela comercialização da droga, então, deu prazo para que o rapaz quitasse seu débito. Na tentativa de resolver a questão, Luís Eduardo de Jesus furtou a casa de uma vizinha, que reclamou com o padrasto dele. Para contornar a situação provocada pelo enteado, ele procurou o coordenador do tráfico num bar na tentativa de reaver os objetos levados. Segundo a Polícia Civil, o padrasto não sabia do furto da droga e não poderia imaginar o que viria a seguir.
Ainda no bar, outros moradores do Jardim Tangarás tomaram conhecimento do caso e decidiram seguir para um local denominado como “sindicato”, onde a vítima estaria. De fato, foi encontrada, explica o delegado. Por lá, usuários consomem álcool e drogas. No local, o grupo decidiu dar um corretivo em Luís Eduardo. Depois, o colocaram num Chevette (que era da mãe de Coelho e teria sido emprestado) e seguiram para o Jardim Manchester.
Luís Eduardo foi agredido com socos, pontapés e com pedaços de pau. Tentou fugir, correu cerca de 50 metros, mas foi alcançado e agredido novamente. Na manhã do dia seguinte, foi encontrado já sem vida.