Declaração divulgada ontem pelos bispos brasileiros, reunidos em Brasília (DF), durante a 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destaca a importância do projeto de lei Ficha Limpa como exemplo de participação popular para o aprimoramento da democracia e ainda incentiva a população a comparecer às urnas no pleito deste ano. Cerca de 300 representantes da Igreja Católica participaram do encontro, que foi iniciado no último dia 4 termina nesta quinta-feira.
“Todos os anos os bispos têm essa reunião e ela se dá na cidade de Itaici, em Indaiatuba. Só que este ano, como vamos ter o Congresso Eucarístico, ele foi realizado em Brasília. Quando os bispos se reúnem, eles fazem a sua fala em relação aos problemas que afetam a igreja e a sociedade. No final do encontro, dois documentos foram lançados: uma direcionado aos padres e outro falando sobre o momento político que nós estamos vivendo”, explica padre padre Milton César Carraschi, coordenador de pastoral da Diocese de Bauru.
De acordo com o texto divulgado ontem, a campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular. “Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos”, ressalta.
Para os bispos reunidos na capital federal, urge uma profunda reforma política, iluminada por critérios éticos, com a participação das diversas instâncias da sociedade civil organizada, fortalecendo a democracia direta com a indispensável regulamentação do Art. 14 da Constituição Federal, relativo a plebiscito, referendo e iniciativa popular de lei.
Para padre Milton, o trabalho ético dos políticos sempre foi uma preocupação da igreja católica. “Quando ela pede ética e apoia o movimento Ficha Limpa, ela na verdade está cumprindo a sua função. Durante séculos, ela sempre foi mãe e mestra. Como mãe, ela tem que cuidar dos seus filhos e da sociedade como um todo. Como mestra, ela tem que educar no caminho da seriedade e eticidade. E não é ser mais ou menos política. É ser a Igreja cumprindo com a sua função social.”
Reforma agrária
Entretanto, a CNBB também posicionou-se em relação ao momento que o País atravessa e defendeu a reforma agrária. ”O Brasil está vivendo um momento importante, por seu crescimento interno e pelo lugar de destaque que vem merecendo no cenário internacional. Isso aumenta sua responsabilidade no relacionamento com as outras nações e na superação progressiva de suas desigualdades sociais, produzidas pela iníqua distribuição da renda, que ainda persiste. Preocupam-nos os grandes projetos, sobretudo na Amazônia, sem levar devidamente em conta suas consequências sociais e ambientais. Permanece o desafio de uma autêntica reforma agrária acompanhada de política agrícola que contemple especialmente os pequenos produtores rurais, como fator de equilíbrio social”.
Hoje tem início o 16º Congresso Eucarístico Nacional em Brasília, cujo tem é “Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários”. Padre Milton viaja nesta quinta-feira para participar do evento. O bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari, já se encontra na cidade, onde participou do encontro anual dos bispos.