08 de julho de 2026
Nacional

Comerciante é roubada dentro de delegacia

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Salto -Um ladrão puxa a bolsa de uma mulher. Ela resiste. Ele insiste. Ela grita e arremessa a bolsa longe. O criminoso corre para pegá-la. A mulher agarra o braço do ladrão e só desiste ao ver outro bandido, armado.

A comerciante Nadir Aparecida Parasso, 52, não estava em uma praça nem em uma rua deserta. Foi assaltada enquanto esperava para registrar um boletim de ocorrência. Dentro de uma delegacia de polícia.

O crime ocorreu por volta das 15h30 de anteontem, em Salto, cidade de 110 mil habitantes a 101 km de São Paulo.

Os ladrões roubaram R$ 13,5 mil de Nadir e fugiram. Havia uma atendente e dois policiais na delegacia na hora do crime. Eles imaginaram inicialmente tratar-se de uma briga de casal.

Ontem, um contingente de 60 policiais procurava os criminosos em Salto e região. Prendê-los é “questão de honra”, disse o delegado seccional André Moron. Até as 20h30 de ontem, nada.

Nadir havia decidido ir à delegacia quase por acaso. Queria registrar que seu celular fora clonado. Antes, passou no Itaú de Salto e sacou R$ 15 mil, dinheiro de “herança”, disse.

Parou depois na Caixa de Itu para pagar uma dívida de R$ 2.050. Ficou com R$ 13 mil, mais R$ 500 que já carregava.

Ao chegar à delegacia, ouviu que teria de esperar - havia uma pessoa na frente. Foi quando foi abordada por um dos ladrões. A polícia disse acreditar que os criminosos a seguiam desde a ida aos bancos.

Atendente da delegacia, Lilian Santos, 20, acompanhou toda a cena. Viu, inclusive, o criminoso pular o balcão para pegar a bolsa que Nadir havia arremessado na tentativa de evitar o prejuízo. Desarmada e assustada, a garota só assistiu a tudo. “Não tive reação. Vi um homem do lado de fora apontando a arma para mim.”

Lilian disse ser funcionária da associação local dos despachantes e atua na delegacia como auxiliar administrativa. Ganha um salário mínimo e meio por mês. O delegado seccional deu outra versão: disse que ela é funcionária da prefeitura.

Dois policiais que estavam dentro da delegacia correram ao ver Nadir gritar. Mas já era tarde. “Ela só gritou que era assalto quando os ladrões já estavam fugindo”, disse Valéria Nascimento, 40 anos, carcereira que faz as vezes de escrivã. Ela e o colega Carlos Fontolan, 48 anos, disseram pensar ser briga de casal. Fontolan era o único armado, mas ao correr deixou a arma na sala onde estava.

Nadir se feriu no braço

Em comum, todos, inclusive a vítima, dizem acreditar que os ladrões não sabiam que no local funcionava uma delegacia. De fato, a única menção está na lateral do prédio, em uma placa enferrujada. Não há bandeiras em dois velhos mastros.

A delegacia funciona há cerca de 20 anos em uma antiga casa. Moradores apostam que os criminosos são da vizinha Itu. Porque quem é de fora não sabe que ali é delegacia. Nesta semana, uma moça foi bater ali imaginando ser um posto de saúde, disse a policial Valéria.