09 de julho de 2026
Regional

Brasil ainda não preparou os campos para a Copa 2014

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

O Brasil ainda não começou a preparação dos campos de futebol que irão receber os jogos da Copa 2014. Para o engenheiro agrônomo Daniel Tapia, consultor do Morumbi, Mineirão, Granja Comary e outros centros de treinamento, o País está atrasado. “Até agora não foi feito nada no Brasil. Não sabemos quem são os responsáveis para tomar conta dos gramados. O estudo para a Copa do Brasil ainda não começou. Não há uma comissão fazendo levantamentos e estudos.”

Tapia acha que seria necessário estar desenvolvendo um estudo aprofundado sobre cada campo que será usado na disputa mundial. “No País tem que se discutir, porque no Sul faz muito frio em junho, São Paulo também cai a temperatura enquanto que em Manaus faz calor no mesmo período. O Brasil não é um País, é um continente. Não se pode entender que o mesmo campo em Porto Alegre onde a temperatura chega a 7 graus seja implantado em Manaus onde faz 40 graus na mesma estação do ano.”

Para ele, os organizadores da Copa 2014 estão atrasados nesse item. “Há comissões de arquitetos, engenheiros, mas para definir a questão do gramado ainda não tem. Precisamos saber qual o tipo de solo, a drenagem e o tipo de grama que será usada. Na África do Sul foi feito assim. Eles fizeram um estudo e encaminharam para a Fifa.”

O consultor frisa que nos estádios mais antigos deverá ser feito uma adaptação, porque a medida do campo não atende as exigências da Fifa. O campo exigido mede 68 por 105. “Nos estádios do Morumbi, Maracanã, Mineirão, por exemplo têm medidas fora do padrão. O Maracanã tem 110, Morumbi 108 e o Mineirão 110. Todos eles têm 75 de largura.”

A questão do preparo do solo para receber o gramado é outro item que deve ser cumprido, na opinião do consultor. “Nos estádios como o de Manaus que está sendo construído, o gramado é novo, feito de maneira correta. Eu não sei o que será feito nos estádios mais antigos. Eu acredito que o gramado será refeito com prioridade para a drenagem e tipo de solo.”

Taipa acredita que a grama deve ser padronizada em todo o Brasil. “As espécies mais adequadas são a Esmeralda e Bermudas. Um ano é o período suficiente para se desenvolver um gramado de campo de futebol.”

A Copa das Confederações da África do Sul utilizou quatro campos de futebol e não 10. “Os quatro campos foram usados como teste para o desenvolvimento do gramado para a Copa do Mundo de 2010. Eu creio que no Brasil deveria ser feito o mesmo”, explica o consultor Daniel Taipa.

Na opinião dele, para que isso ocorresse quatro campos de futebol deveriam estar prontos para 2012. “Com um ano de maturação para a Copa das Confederações que deve acontecer em 2013.”

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Três andares

Um gramado próprio para campo de futebol é formado por três camadas. De baixo para cima é formada a base, a camada de areia e finalmente a grama.

“A drenagem é fundamental para evitar que formem poças de água durante algum jogo, o que seria uma tragédia na Copa. A base tem que ser bem feita e a grama de boa qualidade com boa manutenção. A grama é a cereja do bolo. Sem uma boa base e drenagem não adianta ter uma planta de qualidade.”

O professor da FCA/Unesp Roberto Lyra Villas Boas concorda com a opinião de Taipa. “O sistema de drenagem dos campos são canais revestidos com pedra para que a água pluvial drene rapidamente. Sobre a camada de areia é que são plantadas a grama. A adubação dos campos depende da intensidade de uso, normalmente deve ser feita a cada 15 dias diferentemente do gramado doméstico. O adubo alimenta a planta que tem poda constante perde nutrientes contidos nas folhas e precisa ser reposto.”

A preparação da base do solo é importante. “Muitas vezes os gramados residenciais não se desenvolvem bem porque a base não é bem preparada. Geralmente, após o término da construção, o proprietário quer implantar o gramado para evitar o barro, mas os restos de construção atrapalham o desenvolvimento da planta. Antes da implantação é preciso fazer a correção do solo com calcário para acertar o PH e oferecer os nutrientes necessários”, ensina.

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Pesquisador preparou campos da Copa 2010

Adriaan Stephanus Schoeman, pesquisador do departamento de Zoologia e Entomologia da Universidade de Pretoria da África do Sul esteve esta semana em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) para participar do Simpósio Sobre Gramados. Sem falar português, mas com a ajuda de um tradutor, ele falou para uma plateia de cerca de 300 pessoas que, atentamente, queriam saber mais sobre a preparação dos 10 campos de futebol onde serão disputados os jogos da Copa do Mundo 2010, na África Sul.

Segundo ele, preparar um campo de futebol para receber os melhores times do mundo demora de 10 a 12 semanas. “A dificuldade não foi a preparação do campo em si, mas dos gramados de preparação de cada seleção, porque alguns times, como a Argentina, foram classificados só na última rodada. Foi a partir daí que eles puderam definir onde vão treinar e o tempo para preparar esse campo, foi curto.”

Schoeman frisa que as exigências da Fifa se limitam a cor e nivelamento do gramado que devem estar perfeitos para fazer a bola rolar. “Os 10 campos da Copa 2010 estão prontos. Eu vou fiscalizar tudo o que estiver relacionado a ele, no período dos jogos. Vou cuidar da rede, bandeiras, pinturas das linhas e corte do gramado.”

Ainda sem saber se vai participar da equipe que preparará os campos de futebol para a Copa 2014 no Brasil, Schoeman diz que seria uma honra, mas ainda não foi convidado.

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Mercado em expansão

O mercado de grama no Brasil vem crescendo impulsionado pelo apelo ecológico e até pela Copa do Mundo, segundo o agrônomo Maurício Ercoli Zanon. “O apelo ecológico é forte, mas o que realmente impulsionou o mercado foi o crescimento econômico do País, nos últimos anos. Ele permite uma folga para as pessoas pensarem mais nesse setor. A Olimpíada do Rio e a Copa do Mundo ajudarão a catalizar ainda mais o crescimento.”

Para manter a expansão é necessário manter a estabilidade econômica. “O setor como um todo, não só a parte esportiva, mas também o paisagismo que utiliza a cobertura para compor ambientes e até mudar temperatura cooperam com o crescimento. É uma exigência da sociedade atual. O gramado é usado para a absorção de águas pluviais. Existem estudos americanos que explicam que um ambiente gramado tem temperatura mais amena do que aquele feito com concreto ou asfalto.”

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Adubação química & natural

Adubar o gramado é uma tarefa muito prazerosa para quem curti mexer com plantas e suas energias. A adubação pode ser química, com produtos à venda em casas especializadas. Nesses casos, o prazo é de quatro em quatro meses. É a maneira mais tradicional de ‘alimentar’ a grama. “Um erro muito cometido pelos leigos é a forma de distribuição do adubo. No começo, a pessoa coloca muito, no meio do jardim diminui e, no final, coloca só o restante. Conclusão, a adubação fica desigual e por conseguinte, a planta fica bonita de um lado e carece de alimentos de outro.”

Para que isso não ocorra é necessário obedecer algumas regras. “Para aplicar adubo em uma área de 100 metros quadrados há necessidade de dois sacos de adubo de 25 quilos cada. Com barbante e umas estacas de bambu divida a área em 20 partes de cinco metros. Faça o mesmo com o adubo, só assim ficará garantido que todo o jardim será adubado de forma adequada e o gramado ficará perfeito por inteiro.” Mas se a adubação for com produtos naturais, tipo húmus, pode ser aplicada sobre a grama, uma vez por mês.

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Bermudas & Esmeralda

A grama Esmeralda é a mais utilizadas nos campos de futebol e de golfe brasileiros. Somente em grandes estádios, aqueles que investem em tecnologia de ponta os gramados são formados por gramas do tipo Bermudas. Nenhuma delas é brasileira, mas ambas se adaptaram bem ao solo e ao clima do País.

A diferença entre ambas, segundo Mário Sérgio de Oliveira representante comercial de uma empresa que comercializa gramas na cidade de Itapetininga, a Bermudas é uma espécie mais fina, mais fofa. “Esse tipo de grama está entrando com força total no Brasil.”

A diferença é sentida na manutenção, frisa Oliveira. “Ela cresce rápido e exige poda constante. É indicada para campos de golfe e futebol, porque com manutenção adequada torna o campo um verdadeiro tapete, próprio para rolar a bola.”

Já a grama Esmeralda, segundo ele, exige menos poda, menos manutenção. “Ambas exigem cuidados constantes.”