10 de julho de 2026
Nacional

Tragédia, furtos e tumulto marcaram a Virada Cultural


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São Paulo - A São Paulo que não dormiu durante a Virada Cultural amanheceu ontem com o público lotando a avenida São João, que abriga o palco onde a cantora Pitty - de pijama e óculos escuros - se apresentou às 9h30 de ontem.

De pessoas que resistiam desde a tarde de anteontem a famílias que chegavam ao centro para o show, a multidão misturava crianças, mendigos e gente atirada no meio fio da calçada.

A manhã de sol e calor favoreceu a movimentação pelo centro da cidade, que durante as 24 horas de programação ininterrupta passou a ser uma intersecção de espaços sonoros.

Morte

Morte, tumulto e furtos também marcaram a Virada Cultural. Durante o evento, um jovem foi assassinado e profissionais da TV Cultura foram vítimas de agressões. Perto do palco da Avenida São João, houve uma briga na madrugada. Segundo Everaldo Junior, diretor de eventos da São Paulo Turismo, quatro pessoas ficaram feridas. Três levemente.

Um rapaz, identificado como Alexandre Alves Santos, de 17 anos, foi esfaqueado. Encaminhado à Santa Casa de Misericórdia, não resistiu aos ferimentos e morreu às 3h15.

Na Alameda Barão de Limeira, a Tropa de Choque foi acionada para resgatar uma equipe da TV Cultura. O carro da emissora foi atacado por uma multidão às 2h30. Os profissionais saíram do veículo, mas voltaram após um homem tentar assaltar o repórter com uma faca.

Quem caminhava pelo centro de São Paulo ontem pela manhã viu muito lixo e sujeira pelas ruas. Os maiores problemas de organização apontados pelo público foram a falta de lixeiras e a grande distância entre os banheiros químicos.

De modo geral, as poucas lixeiras que podiam ser encontradas inteiras no centro já estavam transbordando no início da noite de ontem. Outra questão foi a má distribuição dos banheiros químicos, que se concentravam em pontos específicos e longos trechos de ruas com grande fluxo de pessoas ficaram sem sanitários. O resultado foi que o mau cheiro dominava em muitos locais.

Sem teto

A edição de 2010 da Virada Cultural foi a primeira a acrescentar a região da Luz no evento e a agitação não foi suficiente para afastar as dezenas de moradores de rua que vivem ao redor da estação. Enquanto milhares de pessoas se espremiam na Praça Júlio Prestes, o consumo de crack e o tráfico de drogas continuava sendo feito a apenas uma quadra de distância.

Já os sem-teto da Praça Roosevelt - onde funcionou a Dimensão Nerd - tiveram de buscar um outro local para dormir, já que o local foi completamente tomado pelas atividades da Virada. Vendedores e comerciantes dos arredores contaram que guardas municipais expulsaram os sem-teto na noite de sexta-feira, um pouco antes do início da montagem das barracas. Segundo o relato, os que se recusaram a sair foram retirados à força.