10 de julho de 2026
Política

Ataque a dengue tem rejeição de 24,5%

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O combate a epidemias, como em outras situações de elevado risco á comunidade, ainda não sensibilizou ¼ da população bauruense, apesar dos registros de contaminação pela dengue na cidade estar muitas vezes maior que o ano passado. Segundo dados de medidas de controle da dengue, apenas no primeiro trimestre deste ano, as equipes de combate a endemias da Prefeitura de Bauru não conseguiram realizar o trabalho de inspeção e prevenção em 24,% dos imóveis.

O índice revela a impossibilidade de acesso dos agentes de saúde a centenas de imóveis, mas também aponta a falta de conscientização e elevada negligência cidadã de praticamente um quarto da população. São 43.362 registros de ações frustradas, o que inclui recusa de visitas direto nas casas, imóveis fechados e resistência ou impedimento a nebulizações para eliminar o mosquito (Aedes aegypti) e sua procriação.

O secretário Municipal de Saúde, Fernando Monti, revelou em audiência pública na última quinta-feira, no Legislativo, que das 177.191 ações tabuladas pelo setor nos três primeiros meses deste ano, em 12.445 os agentes não conseguiram visitar os imóveis, em 438 vezes o profissional não conseguiu realizar a busca ativa de novos casos suspeitos por recusa do proprietário e em 3.493 ocorrências houve impedimento à nebulização.

A situação explica, em boa parte, o fato da cidade ter contabilizado 413 casos de dengue até este momento. O que reflete, frise-se, apenas os registros oficiais transmitidos pelo Instituto Adolfo Lutz. Destes, apenas 46 foram importados e 357 foram gerados na própria cidade (autóctones).

“Isso consome uma energia enorme e ineficaz das equipes, porque ou o cidadão não colaborou, ou resistiu mesmo, ou não ajudou no acesso ao seu imóvel. Há uma perda de rendimento no combate à doença, uma questão de consciência, apesar dos esforços das equipes de saúde municipais”, observa Monti. A secretaria conta com 124 profissionais atuando no controle de endemias.

Recusa e negligência

A situação é ainda pior ao se observar as ações de combate em local onde foi confirmada a existência de criadouro do mosquito. Dos 54.581 imóveis trabalhados em Bauru, neste ano, 26.986 não resultaram em combate. Os motivos: imóvel fechado ou recusa. Ou seja, exatamente nos focos a resistência atinge metade do total.

Por esta razão é que a Secretaria Municipal de Saúde revela que os casos de notificação compulsória (onde está confirmada a doença) explodiram em Bauru, com 367 registros no primeiro trimestre de 2010, contra apenas 19 no ano passado. “Por isso é que infelizmente nós passamos a ter de buscar medida judicial para eliminar o problema, que é de saúde pública, é coletivo”, reforça o secretário.

A perigosa zona de conforto está no fato de que, comparado com outras cidades médias, Bauru ainda mantém índices toleráveis para a dengue. É que em Ribeirão Preto os registros passaram de 10.000 casos neste ano, em Rio Preto já são mais de 5.000 e em Araçatuba eles superam a 2.000. “Temos uma situação mais confortável sim, comparada com essas cidades, onde a realidade é muito difícil. Mas é inconteste que a dengue explodiu em Bauru e o cidadão tem de participar e atuar para eliminar os focos”, completa.