Sobre a matéria “Resistência de mosquito a repelente prolifera rápido”, publicada no JC (e JCNet) no dia 4 de maio, a Ceras Johnson – empresa americana fabricante dos repelentes OFF! e Autan, citados no texto, gostaria de esclarecer que: “A pesquisa realizado no Reino Unido e divulgada pela Folha Online envolveu a seleção artificial dentro de cepas de laboratório. E isto é completamente diferente do que ocorre no ambiente natural.
A resistência mencionada no artigo foi encontrada no laboratório através da exposição forçada e reprodução entre os mosquitos que eram capazes de morder um braço tratado com DEET e não havia outra opção de alimentação para esta população neste teste forçado. Neste caso, a pressão seletiva aplicada foi muito forte, conforme comentaremos a seguir.
Existem pelo menos duas condições para que a resistência evolua. A primeira seria a variação genética natural e, a segunda, a pressão seletiva favorecendo a variação genética.
Quando um mosquito é exposto a um inseticida como o DDT, não há alternativa, pois a pressão seletiva é muito forte e somente sobrevivem os mosquitos que possuam resistência genética a este ativo. No caso do teste feito em laboratório a pressão seletiva também pode ser considerada forte, uma vez que não havia outra alternativa para a população de mosquitos a não ser ficar em exposição contínua ao DEET.
Em condições naturais, quando um mosquito se aproxima de uma pessoa utilizando DEET ou a um ambiente que possua DEET, a morte não é uma consequência inevitável, mas a simples repelência sim é. Neste caso, o mosquito muito provavelmente vai procurar outra pessoa ou ambiente que não esteja protegido pelo DEET. Dizemos que a pressão seletiva para este caso, que é o que ocorre na natureza, é muito fraca. Desta forma, podemos afirmar que no mundo real a exposição dos mosquitos ao DEET é relativamente limitada.
Se todos, sem exceção, utilizassem DEET em larga escala, isso até poderia acontecer, porém sabemos que não é o caso. O ativo DEET vem sendo utilizado como ativo repelente há 60 anos e até hoje não há resistência a este ativo, o que reforça nossa argumentação de que a exposição é limitada na vida real e que não podemos comparar a exposição e cruzamentos forçados em um laboratório com a realidade. Se mosquitos podem desenvolver resistência a DEET, o mesmo vale para outros ativos como Picaridin, IR3535, citronela, dentre outros. Portanto, este não seria um problema apenas para o DEET, se fosse o caso. Como resumo, nós não pensamos que haja a necessidade de se preocupar com os resultados deste estudo de laboratório, pois, no mundo real, podemos afirmar que o DEET continuará mantendo sua eficácia para nos proteger das diversas doenças que podem ser transmitidas por mosquitos.
Ailton Costa - gerente de pesquisa & desenvolvimento da SC Johnson Brasil