10 de julho de 2026
Internacional

China e Rússia apoiam pretensão dos EUA de aplicar sanções ao Irã


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Nova York - Um dia após Brasil, Turquia e Irã selarem um acordo para destravar o impasse nuclear envolvendo o país persa, os EUA apresentaram a sua proposta para impor novas sanções contra Teerã, com o endosso dos membros do P5+1 - França, Reino Unido, Rússia, China e a Alemanha. Em reunião de quase duas horas ontem, os países concordaram em apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um texto que impõe medidas duras ao Irã, caso o país não cumpra as exigências da AEIA (agência atômica da ONU).

A embaixadora brasileira nas Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti, deixou o encontro após cerca de 40 minutos para dizer a jornalistas brasileiros que o país “não vai se engajar na discussão nesse momento”. Recusando-se a repetir as suas colocações em inglês - para jornalistas estrangeiros -, Viotti afirmou que “há uma nova situação, o acordo (apresentado), e o momento é de diplomacia”.

“O Brasil tem condições de continuar as negociações. Precisamos da oportunidade para o acordo firmado em Teerã produzir resultados”, disse a embaixadora, para quem já existe o “instrumento de negociação” para buscar uma “solução pacífica”.

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em sessão na Comissão de Relações Exteriores do Senado, comemorou o apoio de Rússia e China, os membros permanentes do Conselho de Segurança (com direito a veto) mais relutantes em recorrer às sanções.

“Não acreditamos que tenha sido uma coincidência que o Irã tenha aceitado o acordo no momento em que nós nos preparávamos para progredir em Nova York (sede da ONU)”, afirmou.

No fim da tarde, em entrevista coletiva após o encontro, Susan Rice, embaixadora dos EUA na ONU, afirmou que “o Irã continua a enriquecer urânio a 20%” e a “violar as suas obrigações” -”É por isso que estamos aqui”.

Brasil

O chanceler Celso Amorim afirmou ontem que não compreende o ceticismo da comunidade internacional e, principalmente, do governo americano, em relação ao acordo nuclear entre Brasil, Turquia e Irã. Amorim irá enviar uma carta, redigida a quatro mãos com o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendendo o acordo.

Na mensagem, os dois países irão justificar que todos os pontos considerados essenciais foram acatados pelo Irã no acordo firmado anteontem, nos moldes de tentativas anteriores de negociações. “Não estamos irritados com o ceticismo dos Estados Unidos. O acordo é o acordo que eles (os países do Conselho de Segurança mais Alemanha) propuseram. As dificuldades eram sempre essas. Todas dificuldades foram resolvidas”, disse. Segundo Amorim, são três os requisitos conquistados pelo acordo que atestam a sua validade: a quantidade da remessa de urânio foi definida; o Irã não exigiu o recebimento prévio ou simultâneo do urânio enriquecido; e a comunicação oficial à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) dos compromissos assumidos será feita em prazo curto de sete dias. “É a primeira vez que o Irã aceita, por escrito, uma proposta, sem condicionantes.”

O acordo firmado determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5% à Turquia em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França. A substância enriquecida seria devolvida ao Irã no prazo de um ano.

“Todos esses pontos aprovados foram considerados importantes pelos países que estão desenvolvendo a resolução”, disse Amorim em entrevista no Itamaraty, logo após chegar de viagem de Madri.