A geração de empregos em Bauru continua aquecida. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, somente no primeiro quadrimestre de 2010 (veja quadro), o saldo entre admitidos e demitidos foi superior ao apresentado durante todo o ano de 2009. Construção civil, comércio e indústria foram os setores que mais contrataram.
Para economista e para a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), maior obstáculo para a manutenção da expansão de empregos é a dificuldade em encontrar mão-de-obra qualificada.
Pelos dados do acompanhamento, até abril, 2010 já computou saldo de 3,5 mil novos postos de trabalho – foram admitidas 20,1 mil pessoas e demitidas 16,6 mil. Neste período, o setor que apresentou maior variação positiva foi o da construção civil, com saldo de 1,2 mil novos postos de trabalho (com variação percentual de 15%), seguido pelo de serviços, com 1,9 mil, um aumento de 4,3%.
De abril de 2009 a abril deste ano, o saldo é de 5,2 mil novos postos, com 52,4 mil admissões e 47,1 mil demissões. Neste período, a pecuária foi a que teve a maior variação negativa, com redução de 10% dos postos (cerca de 140 vagas a menos). Já o setor de serviços foi o que apresentou o maior saldo positivo de vagas, com 3,6 mil postos (9%).
Para o economista Wagner Smanhoto, Bauru acompanha o crescimento obtido em todo Brasil. “A geração de empregos é consequência da economia estabilizada, de um País que está crescendo”, observa. “E ao avaliarmos os números de abril do ano passado com o deste ano, comparamos um período de uma saída de crise, com um dos melhores momentos da economia brasileira. Por isso, a evolução é tão acentuada”, observa.
Sobre o crescimento na construção civil, ele destaca que o governo federal adotou medidas que impulsionou todo a cadeia produtiva relacionada do setor. De acordo com Smanhoto, ao reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de materiais de construção, houve o incentivo às vendas. Pessoas passaram a construir e reformar seus imóveis e isso levou a uma necessidade de aumentar a produção industrial e a um aumento de vagas nesse setor.
Para executar essas obras, aumentou-se a contratação de profissionais como pedreiros, eletricistas, entre outros. “O que faltava, era uma linha de crédito para incentivar investimentos na área. Para isso, foram criados os programas como o Minha Casa, Minha Vida”, pondera. Smanhoto destaca que a falta de trabalhadores qualificados nessa área é tanta, que foi criado mais cursos profissionalizantes para atender essa demanda.
Aliás, não é somente na construção civil que está difícil encontrar profissionais qualificados. Para o economista, esse é o principal obstáculo a ser superado por Bauru, para que o nível de emprego continue crescendo. “é preciso preparar a mão de obra para as oportunidades que vão surgir”, destaca.
Comércio
Para Cássio Carvalho, presidente da Acib, a economia de Bauru vai muito bem, mas a falta de mão-de-obra qualificada, especialmente no setor de comércio, já preocupa. “Falta pessoas com formação voltada para o mercado de trabalho”, sentencia. Segundo Cássio, uma inciativa da entidade para amenizar o problema, foi procurar a Escola Técnica (Etec) Rodrigues de Abreu e solicitar a criação de um curso que atendesse a demanda. “Por isso, foi criado o curso de marketing, que no futuro próximo será um grande diferencial no currículo dos funcionários”, observa.