10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

REALIDADES QUE CERCAM O PROFESSOR BRASILEIRO


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Sempre o professor esperou aumento de vencimentos. Este fato faz parte da rotina de sua vida. Portanto, desde 2008, nós, aposentados, e os professores da ativa nutríamos a esperança de que em 2010, por ser um ano eleitoral, teríamos um aumento que compensasse parcialmente as perdas sofridas, minimizando a situação precária do magistério e dos aposentados. Chegou o esperado ano eleitoral e o aumento não aconteceu. E o pior é que não se pode fazer previsões, tudo indicando, no entanto, que o esperado aumento ocorra somente daqui a quatro anos, em um próximo ano eleitoral. A propósito, algumas realidades que cercam o professor são evidentes e incontestáveis.

Como ninguém mais tem dúvidas de que a educação, cujo principal agente é o professor e não o computador, é o fator primeiro, fundamental e indiscutível para o progresso econômico e social de qualquer país. Todos sabem que o dinheiro aplicado na educação não pode ser considerado como gasto, mas sim investimento; por sinal, o mais rentável existente. Quanto mais se aplicar mais haverá retorno por incontáveis modos, ângulos e dimensões. Qualquer país será no futuro o que for a sua educação no presente.

Outra realidade clara é a de que, muito embora os governantes não reconheçam o valor e a importância do professor, felizmente as comunidades e suas forças vivas, enfim, a sociedade fazem-no. Outro ponto, para mim inconteste mas contestado por outros, é sobre o macrossistema que constitui a infraestrutura da educação em nosso Estado: são 220 mil professores que trabalham em mais de 5 mil escolas, realidade que, a meu ver, é responsável pela debilidade da classe em reivindicar. Qualquer aumento que se pleiteie, por menor que seja, multiplicado por aqueles números reforça justificativas para negação, de que provocará rombos nos orçamentos. Números que deveriam evidenciar força são responsáveis pelo imobilismo e fraqueza do magistério sem atemorizar os políticos governantes.

Outra realidade, melhor dizendo, entendimento, que naturalmente poderá ser contestado, é a de que a greve do magistério é um processo ultrapassado para a atualidade haja vista os resultados nulos conseguidos nos movimentos dos anos anteriores e no recentemente encerrado. Agora e anteriormente nenhum reajuste geral foi concedido, e os grevistas foram humilhados, maltratados com um retorno melancólico às escolas estaduais. Em verdade, o professor da ativa está acuado, não tem espaço para a greve tendo em vista os prejuízos monetários e profissionais que advirão em seu minguado orçamento mensal e na carreira. Sob todos os ângulos ele mais perderá do que ganhará.

A última realidade que pontuo, sabendo que poderá ser refutada e contestada por muitos educadores e entidades da classe, é a de que a situação e valorização do professor somente ocorrerão quando esse macrossistema que para muitos é causa de ufanismo, deixar de existir. Defendo a tese de que, como aconteceu com a saúde pública, a educação básica, a médio e longo prazos, como acontece há tempos em países desenvolvidos, deverá ficar sob a responsabilidade do município, da comunidade. Passar para o município que deverá receber os repasses de recursos dos governos estadual e federal. Existirão sistemas e microssistemas de ensino. Haverá diversidade de concepções e a qualidade do ensino chegará ao nível desejado e esperado pela sociedade. Entendo que professor e educação sairão ganhando.

Joaquim Eliseo Mendes - professor