11 de julho de 2026
Nacional

Lula deve vetar fim do fator previdenciário

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Lula vetará o fim do fator previdenciário, aprovado anteontem pelo Senado. Quanto ao reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, Lula ainda estuda o caso.

O presidente poderá sancionar o aumento, mesmo que não concorde com o índice, para que o desgaste com veto não recaia sobre o Executivo.

Há ainda uma alternativa intermediária na mesa do presidente: vetar o percentual e mandar para o Congresso uma medida provisória instituindo aumento de 7%.

Segundo um interlocutor próximo a Lula, “não será surpresa” se ele optar pela sanção, apesar de considerar que será uma decisão “dolorosa” pelo impacto nas finanças.

Desde que o Congresso resolveu ignorar as propostas de reajuste do governo - primeiro de 6,14% e depois de 7% -, Lula passou a acusar os parlamentares de tentarem tirar proveito eleitoral com o reajuste acima do que é possível pelos estudos feitos pela área econômica.

Ontem ele voltou a questionar a atitude do Congresso. “Tem gente que acha que ganha voto fazendo isso, quando, na verdade, se o povo compreender o que significa isso, essas pessoas podem até não ganhar o tanto de voto que pensam que vão ganhar”, disse.

Em seguida, Lula afirmou que, como presidente, tem que agir com responsabilidade para não quebrar o governo.

Pressão

O presidente está sendo pressionado pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) a não sancionar o aumento, porque o reajuste sufocaria aindamais as finanças públicas.

A área política do governo, no entanto, defende que o percentual aprovado seja sancionado para evitar desgaste por um problema que não foi criado pelo governo, mas que recairá sobre o presidente.

O aumento atinge 8,3 milhões de aposentados e pensionistas. O total da folha de pagamento, ao ano, para eles é de R$ 135,2 bilhões.

Se Lula sancionar os 7,7% aprovados pelo Senado, o impacto anual nas contas chegará a R$ 8,5 bilhões. O aumento é retroativo a janeiro.