08 de julho de 2026
Rural

MT quer status de livre da aftosa


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A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) vai encaminhar ao Ministério da Agricultura pedido para revisão do status sanitário do Estado para área livre da febre aftosa sem vacinação. Dono do maior rebanho do país, Mato Grosso não registra nenhum caso da doença há 14 anos. A vacinação custa em torno de R$ 50 milhões anuais aos produtores.

A entidade diz que a nova classificação permitiria, além da economia, o acesso a mercados mais rigorosos, nos quais a carne de gado vacinado é menos valorizada. “A exemplo de Santa Catarina, que já conseguiu, e do Paraná, que já pediu, nós também nos colocamos na posição de pedir, uma vez que já estamos há 14 anos sem febre aftosa no Estado”, afirma Rui Prado, presidente da Famato.

A opinião não é compartilhada pela Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso, que enxerga riscos no fim da vacinação do rebanho. Para a entidade, Mato Grosso não tem estrutura para fiscalizar adequadamente a fronteira com a Bolívia e as divisas com Rondônia, Amazonas e Pará.

“Essa discussão é prematura, pois Mato Grosso ainda é um Estado muito vulnerável. Qualquer descuido pode jogar por terra todo o trabalho que tivemos ao longos desses anos”, afirma Paulo Resende, diretor-executivo da entidade.

Segundo ele, a situação de Santa Catarina é “muito diferente”. “Ali você tem apenas um grande corredor de entrada e saída para fiscalizar. É muito mais viável do que fechar mil quilômetros de fronteiras de alto risco sanitário.”

Entre os Estados que fazem divisa com Mato Grosso, apenas o Amazonas não é considerado como livre da febre aftosa com vacinação. No caso do Pará, esse status vale apenas para a região centro-sul do Estado. Na Bolívia, o último caso de febre aftosa foi registrado em 2007.