10 de julho de 2026
Internacional

Governo de Bancoc prega a paz, mas mantém repressão nas ruas


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Bancoc - Dois dias depois dos confrontos mais violentos da história recente da Tailândia, o premiê Abhisit Vejjajiva anunciou que a ordem no país foi “restaurada’’ e que o desafio agora é “superar as divisões”. Apesar do discurso conciliador, as prisões de oposicionistas continuaram, e a Justiça negou a soltura de seus principais líderes.

Em pronunciamento feito em tailandês e em inglês, Abhisit voltou a lançar um plano de cinco pontos já rejeitado pela oposição e prometeu uma “investigação independente” sobre os incidentes dos últimos dois meses, que deixaram ao menos 83 mortos e cerca de 1.800 feridos, além de dezenas de prédios incendiados em Bancoc e no norte do país.

“Podemos certamente reparar a infraestrutura e os prédios, mas o importante é curar as feridas emocionais e restaurar a unidade dos tailandeses”, afirmou Abhisit.

O premiê não mencionou a antecipação da eleição para novembro, o que encurtaria o seu mandato em um ano. Mas um dos seus principais assessores assegurou que a proposta continua incluída no plano de cinco pontos. “A eleição em 14 de novembro ainda é uma opção, mas nós temos que ter todos os partidos negociando para um plano federal”, afirmou Issara Sunthornwat, vice-ministro do gabinete do premiê.

O plano voltou a ser rejeitado pelos “camisas vermelhas”, movimento oposicionista composto principalmente por camponeses, que acamparam por dois meses no distrito comercial de Bancoc.

Somyot Pruksakasemsuk, líder de segundo escalão dos “camisas vermelhas”, distribuiu hoje um comunicado reiterando a exigência de que Abhisit renuncie imediatamente. Horas depois, ele foi preso, segundo a imprensa local.

Também hoje, a Justiça negou a liberdade sob fiança a 114 “camisas vermelhas’’, entre os quais seus principais líderes, todos acusados de terrorismo. O país continua em estado de emergência, com Bancoc e 23 Províncias sob toque de recolher à noite. “O premiê é um hipócrita, ele fala de forma oposta ao que faz’’, acusou Prompong Nopparit, porta-voz do oposicionista Pheu Thai Party (Partido para os Tailandeses).