09 de julho de 2026
Internacional

Carta de Obama louvava acordo nuclear


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Nova York - Trechos obtidos pela agência Reuters de carta enviada semanas atrás pelo presidente dos EUA, Barack Obama, a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva confirmam a versão divulgada nos últimos dias pelo governo brasileiro de que o acordo Brasil-Irã-Turquia atendia a demandas da Casa Branca. O acordo firmado na segunda-feira em Teerã prevê que o Irã enviará, no prazo de um mês, 1.200 quilos de seu urânio pouco enriquecido à Turquia. Em até um ano, o país persa receberia, em troca, 120 kg de urânio enriquecido a 20%, índice adequado para uso médico, mas não para fins militares.

O trato é reedição de acordo semelhante proposto em outubro passado pela AIEA (agência atômica da ONU), que na ocasião não foi aceito pelo Irã porque o país se negava a enviar urânio para fora do seu território e exigia que a troca fosse simultânea. Brasil e Turquia conseguiram fazer o país persa desistir de ambas condições.

“De nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano”, escreveu Obama na carta. “O Irã continua a rejeitar a proposta da AIEA e insiste em reter seu urânio de baixo enriquecimento em seu próprio território até a entrega do combustível nuclear”, continua. O presidente americano afirma ainda que, “para iniciar um processo diplomático construtivo, o Irã precisa transmitir à AIEA um compromisso construtivo de engajamento, através dos canais oficiais, algo que não foi feito até o momento”.

Ontem, o governo iraniano afirmou que comunicará a AIEA oficialmente do acordo na próxima segunda, dentro do prazo previsto no ato de assinatura no início da semana. Apesar de indicar na carta que veria um acordo como o fechado pelo Brasil com bons olhos, o governo americano reagiu com ceticismo ao anúncio da segunda e, no dia seguinte, apresentou ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de resolução, respaldada por Rússia e China para novas sanções a Teerã.

Perplexo

A reação americana deixou Lula “perplexo”, segundo relato de um interlocutor próximo ao presidente. O mesmo interlocutor afirmou que Lula está disposto a cobrar de forma mais dura os EUA se não cederem na intenção de impor novas sanções ao país.

Anteontem, após manter o silêncio por alguns dias enquanto esperava que as reações ao acordo com Teerã “amadurecessem”, o presidente brasileiro já subiu o tom contra os EUA ao afirmar que o entendimento desagradou a “gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo”. Lula recebeu uma ligação do presidente do Líbano, Michel Suleiman, que o cumprimentou pelo acordo firmado com Teerã.

O Líbano, onde a milícia xiita Hizbollah, ligada ao Irã, participa do governo, controla hoje a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU. O país, ao lado de Brasil e Turquia, forma o bloco minoritário das nações que resistem a sanções - anteontem, o chanceler francês garantiu que as punições têm o apoio dos demais 12 membros do conselho. A expectativa é que as sanções, que preveem maiores restrições a vendas de armas a Teerã e bloqueiam transações financeiras suspeitas de favorecer o programa nuclear, entre outras restrições, sejam votadas no início do próximo mês. Anteontem, o vice-presidente do Parlamento iraniano disse que a aprovação de novas sanções levaria o país a recuar do acordo com o Brasil.

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Irã deve comunicar AIEA sobre acordo nuclear na 2ª

Teerã - O Irã vai entregar na segunda-feira à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) uma carta oficial detalhando os termos do acordo de intercâmbio de material nuclear por combustível, mediado nesta semana por Brasil e Turquia, informa a agência de notícias estatal Irna. “Após o anúncio conjunto de Irã, Turquia e Brasil, o embaixador permanente do Irã junto à AIEA anunciou que o país está pronto para submeter a carta (...) na segunda-feira ao chefe da agência, Yukiya Amano”, disse.

O anúncio dá prosseguimento aos trâmites previstos em Teerã quando os três países se reuniram, apesar de as potências Ocidentais como os EUA, França e Reino Unido terem deixado claro que darão continuidade ao projeto de uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Pelo acordo anunciado pelos líderes dos três países, o Irã se compromete a enviar à Turquia em um mês 1.200 quilos de urânio baixamente enriquecido para receber em troca, um ano depois, urânio enriquecido a 20% para alimentar um reator de pesquisas médicas em Teerã.

O acordo foi feito para atenuar as preocupações dos Estados Unidos e de seus aliados de que a atividade iraniana de enriquecimento está voltada para o desenvolvimento secreto de armas nucleares. Teerã diz que seu programa nuclear está voltado exclusivamente para fins civis, mas que não vai abrir mão de dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio. A proposta de intercâmbio de material nuclear foi feita inicialmente em outubro pela ONU.