Desde fevereiro, Cláudia (nome fictício), 33 anos, mora na Casa Abrigo para Mulheres Vítimas de Violência Marilucia Mauad, com seus quatro filhos, incluindo um bebê de 6 meses. Ela não tinha conhecimento da existência do abrigo, até o dia em que precisou fugir de sua casa com com os filhos durante uma noite em que o marido saiu para comprar crack. Ela já tinha sido agredida, ameaçada, e só tomou a decisão de deixar o lar após o homem com quem estava há 16 anos molestar a filha de 13 anos do casal, segundo contou ao Jornal da Cidade.
Ela estava grávida do bebê quando a filha revelou o abuso do pai. “Entrei em pânico, mas me controlei. Sabia que não podia deixá-los sozinhos com ele”, contou. Mas no dia que entrou em trabalho de parto, não conseguiu deixar os filhos com parentes. Ela permaneceu internada durante três dias, após a cesareana. No segundo dia na unidade hospitalar, o marido e os filhos foram visitá-la. A garota não disse uma palavra. Quando ela voltou para casa com o bebê, a filha revelou que tinha sido novamente molestada.
Segundo Cláudia, nos últimos 10 anos o ex-marido passou a usar crack. E o abuso da droga piorou nos últimos quatro anos. Ela conta que já tinha sido agredida por ele e que, ao desconfiar que ela sabia do que estaria fazendo com a filha, passou a ameaçar a família inteira de morte. “Cheguei a ficar três dias sem dormir, vigiando”, conta.
Cláudia conta que a gota d’água foi o dia que mesmo com ela cuidando do bebê em casa, percebeu o marido tentando abusar da filha novamente. A garota cobrou alguma decisão da mãe, que resolveu ter chegado a hora de deixar a casa. Ela explica que o marido já andava desconfiado e que as ameaças teriam aumentado. “Ele estava fumando cada vez mais e as crianças, ficando com medo.”
Ela contou ao pastor da sua igreja o que estava acontecendo e pediu apoio. Um dia, após o marido ter saído de casa, ela juntou os filhos, poucos pertences e saiu pela rua em busca de ajuda. Encontrou acolhida na casa de uma vizinha, que a levou para a igreja. Passou dois dias no templo e no dia seguinte foi à delegacia.
“Encontrei (no Abrigo) mulheres com histórias como a minha, até piores. Com a troca de experiência, carinho e apoio, vou juntando forças. Principalmente por estar com meus filhos em segurança”, diz. Para o futuro, ela destaca o apoio recebido pela equipe da Casa e afirma que pretende conseguir um emprego e criar sua família. “Aqui é um lugar onde você ganha força. E eu tenho que estar forte para os meus filhos”, diz.