07 de julho de 2026
Geral

Investigação científica será sofisticada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Com prédio novo a ser construído pela Polícia Técnico-Científica em Bauru, a investigação pericial será sofisticada. Por estar na região central do Estado, o núcleo da cidade contará com um pólo de laboratórios. A informação foi prestada ontem pelo superintendente do órgão, Celso Perioli. De acordo com ele, que esteve na cidade, a estrutura a ser montada acolherá alguns exames e serviços que hoje são realizados em São Paulo.

Neste caso, inclusive, Bauru receberá a demanda de vários outros municípios do Interior - além dos 21 atualmente atendidos. Ainda assim, na avaliação de Perioli, a novidade resultará em agilidade na elaboração dos laudos, uma vez que parte das solicitações locais não será mais remetida à Capital.

“Poderíamos aperfeiçoar o laboratório de balística, a análise do Instituto Médico Legal (IML), exames toxicológicos, anatomopatológicos (exame de células e tecidos). Até DNA poderíamos montar, mas teremos de ter técnico preparado para isso”, comenta Perioli. A expectativa é de que sejam investidos R$ 3,5 milhões para erguer o prédio e equipá-lo.

Se as expectativas foram cumpridas, o obra será erguida na avenida Luiz Edmundo Coube, ao lado do 4º Batalhão da Polícia Militar. O terreno de 4,5 mil metros quadrados foi doado pela prefeitura e aguarda parecer da Casa Civil do governo do Estado. “É uma tramitação normal. Em breve deve ser publicado no Diário Oficial”, informa. Na opinião de Perioli, a Polícia Técnico-Científica vem demonstrando cada vez mais a importância dela na apuração criminal.

“Hoje, as provas colhidas no local têm a possibilidade de ser analisadas com muito mais precisão por conta da tecnologia que temos à disposição. Essa tecnologia é muito importante na medida que ela produz ensaios não destrutivos (podem ser utilizados sempre que necessário)”, comenta. De acordo com o superintendente, a Polícia Técnico-Científica de São Paulo pode ser equiparada com a de países desenvolvidos como os Estados Unidos. “Lá eles fazem pouco com muito e aqui, fazemos muito com pouco”, afirmou.

Integração

Só em 2009, foram elaborados 1,2 milhão de laudos, incluindo o Instituto de Criminalística (IC) e o Instituto Médico Legal (IML). Em Bauru, inclusive, a ideia é integrar no mesmo prédio o IC e o IML, ambos subordinados à mesma superintendência. “Essa união de esforços na mesma unidade é importante porque é necessário que o perito converse com o legista e vice-versa. Facilita bastante o trabalho e minimiza até a administração, que tem a mesma estrutura”, explica.

Na opinião de Perioli, a junção poderia resultar, inclusive, em redução de custos. Os dois institutos devem atuar num imóvel com pouco menos de dois mil metros quadrados. Uma planta do imóvel já foi desenhada pela própria Polícia Técnico-Científica. “Esse ano não tenho recurso para obra. Pode ser que alguma verba seja alocada para a construção dessa unidade. Bauru tem um prédio com prioridade de construção”, garante. No entanto, ainda não há previsão de quando as obras serão iniciadas. O deputado Pedro Tobias tem dado apoio na busca de recurso para tal fim, segundo o próprio órgão.

“Precisamos de polícia técnica e inteligência, é isso que combate a violência”, ressalta o deputado.

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Visibilidade

A Polícia Técnico-Científica de São Paulo ganhou visibilidade em dois casos emblemáticos recentes. O Isabella e o acidente da TAM. Eles foram considerados divisores de água e foram capazes de mostrar a importância da perícia. No caso do desastre com o avião, foi utilizado um protocolo de acidente em massa, desenvolvido pouco antes.

“Em duas horas estava tudo articulado. Médicos e peritos trabalhando no local. Tínhamos as câmaras frias e não perdemos um exame de DNA. Mostramos que estávamos preparados para isso. Caso contrário, seriam duas tragédias. Tínhamos 200 corpos mutilados e carbonizados. Fizemos a identificação em tempo recorde. Foi um caso importante porque o Brasil inteiro viu que se não tiver uma estrutura bem montada, um laboratório de DNA de ponta, não tem resultado”, finaliza.

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Autossustentabilidade

O prédio próprio a ser construído pela Polícia Técnico-Científica em Bauru será autossustentável, segundo o superintendente do órgão, Celso Perioli. O projeto prevê, por exemplo, reaproveitamento de água para lavagens de viatura e descarga com redução de consumo de água.

“A gente já está fazendo isso com o nosso prédio lá em São Paulo, que está em reforma. É mais difícil adaptar do que construir um”, comenta. Em Bauru, o objetivo é adotar todas as iniciativas que possam resultar em redução de custos e respeito ao meio ambiente. A nova estrutura deve contar também com mais funcionários, já que a demanda de trabalho deve aumentar. Além do aparato tecnológico, também será necessária a contratação de profissionais.

“É claro que a gente vai precisar ter um suporte com número de pessoas mais elevado, embora a tecnologia minimize isso”, explica. O governo do Estado estuda a criação de mais 1.020 cargos. Caso concorde com a solicitação do órgão, encaminhará o projeto à Assembleia Legislativa. “É um reclamo de todas as unidades, não só de Bauru. A gente pretende regionalizar os concursos”, informa Perioli.