11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Termina a paralisação no Judiciário

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 4 min

Depois do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidir pela suspensão das atividades do Pleno por 15 dias, os servidores do Poder Judiciário estadual de Bauru optaram por voltar a trabalhar normalmente. Durante esses 15 dias de parada do tribunal, os trabalhadores devem organizar uma nova assembleia para decidir se prosseguirão com a paralisação. A greve da categoria teve início no dia 7 de maio e tem como principal reivindicação o reajuste salarial.

De acordo com Benedito José Almeida Falcão, representante dos funcionários do Judiciário bauruense, o Pleno do TJSP é o órgão que deve julgar o dissídio da categoria, e como suas atividades foram suspensas por 15 dias, os servidores não veem finalidade em permanecerem paralisados. “Não havia motivo para o pessoal estar na rua ou prejudicar a população se quem tem que julgar não está trabalhando. Então, foi decidido em assembleia realizada em Bauru que voltaremos aos serviços normalmente”, afirma Falcão.

Ele destacou que os servidores irão se reunir mais uma vez dentro desses 15 dias de paralisação das atividades do Pleno para decidir se darão continuidade ao ritmo normal de trabalho ou se optam pelo retorno à greve. “Dentro de 15 dias realizaremos mais uma assembleia para decidir se voltaremos a paralisar ou se manteremos a suspensão”, garantiu.

Sobre as próximas ações que serão realizadas pela categoria, Falcão informou que os servidores passarão a atuar de outra maneira. “Nosso foco agora será em relação à transparência nas contas do TJSP”, disse ao mencionar que buscarão maior divulgação de supostas irregularidades apontadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relativas a questões ligadas ao tribunal.

Os servidores do Poder Judiciário de Bauru aderiram à greve da categoria por reajuste salarial de 20,16% referentes a perdas salariais dos últimos dois anos. Na primeira rodada de negociações, o TJSP ofereceu 4,17% aos grevistas, que rejeitaram a proposta e mantiveram a paralisação. Os trabalhadores conseguiram que o Plano de Cargos e Carreira fosse aprovado na Assembleia Legislativa, aguardando no momento a sanção do governador do Estado.

Unesp

Já os servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru permanecem em greve desde o dia 12 de maio. A categoria também reivindica reajuste salarial e planeja uma ação em conjunto, na próxima quarta-feira, com trabalhadores de diversos campi da Unesp, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) para abrir uma negociação com o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

Segundo o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp) de Bauru, José Aparecido Castelli, a última reunião do Cruesp não resultou em uma negociação entre as partes interessadas, o que acabou por estender a condição de paralisação dos servidores. “Não houve negociação com o conselho quando realizamos a manifestação em São Paulo (realizada no dia 18 de maio). Com isso, voltamos para as bases (cidades) e decidimos em plenária que deveríamos manter a paralisação para tentar fazer as negociações avançarem”, revela Castelli.

Ele destacou que o próximo passo da categoria será no dia 26 de maio, quando servidores de diversos campi da Unesp, Unicamp e USP de todo o Estado organizarão uma ação em conjunto dentro do câmpus da universidade de Campinas. “Na próxima quarta-feira será realizado um ato em conjunto com as outras unidades em greve na cidade de Campinas, às 13h. Faremos o ato lá porque o atual presidente do Cruesp é o reitor da Unicamp, portanto, tentaremos abrir um canal de negociação”, afirma.

Castelli explicou que os servidores da Unesp de Bauru decidiram pela paralisação com o objetivo de forçar uma negociação acerca do valor apresentado pelo Cruesp como reajuste salarial para a categoria.

De acordo com o diretor do Sintunesp de Bauru, o aumento de 6,57% para servidores e professores proposto pelo conselho das universidades não considera o ajuste realizado em relação ao salário dos professores, que tiveram implementação de 6% em fevereiro. Agora, os servidores esperam um reajuste de 16% relativo às perdas salariais sofridas nos últimos cinco anos pela categoria.

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Operação Padrão da Polícia

Para tentar forçar a abertura de negociação com o governo do Estado, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) iniciou no dia 23 de março a Operação Padrão, sistema pelo qual cada funcionário executa estritamente as funções de seu cargo. A categoria adotou essa abordagem para tentar promover a reestruturação da Polícia Civil, argumentando que a mudança vai melhorar as condições de trabalho e o serviço prestado à população.

Sem conseguir negociação com o governo do Estado, ontem a Adpesp lançou uma campanha com a intenção de evidenciar a situação da segurança pública paulista. Segundo sua assessoria, “31% das cidades do Estado não têm delegados, a população paulista cresceu 21% desde 1995 enquanto o número de policiais civis se mantém o mesmo neste período e existem 3 mil delegados para os 42 milhões de habitantes de São Paulo”.

A campanha busca evidenciar “a falta de profissionais e as más condições de trabalho”.