09 de julho de 2026
Geral

Bauru está virada para a cultura

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Com temperatura amena, propícia para aproveitar as atrações que viriam noite adentro e madrugada afora, a 4.ª edição da Virada Cultural Paulista em Bauru foi aberta às 18h10 de ontem com o pronunciamento do prefeito Rodrigo Agostinho seguida da apresentação de balé contemporâneo da Ribeirão Preto Cia. De Dança, no Teatro Municipal. O espetáculo “Fora de Si” encantou e mexeu com a imaginação do público.

No discurso, Rodrigo Agostinho demonstrou a sua satisfação em Bauru ter, novamente, a Virada Cultural que segue com intensa programação até as 18h de hoje. Neste ano mais cidades se inscreveram, o que aumentou a concorrência para sediar o evento.

“O legal da Virada é que é uma parceria. O governo do Estado entra com os artistas e com a agenda. A Prefeitura entra com a parte mais burocrática, que é a logística: palcos, segurança, iluminação, alimentação, hospedagem de artistas, geradores e também a divulgação”, ressaltou.

Sob olhares atentos, o espetáculo de dança contemporânea foi pouco a pouco contagiando o público. As amigas Jeanete Aparecida e Delenice Zagato estavam no Teatro prestigiando a arte e também apoiam a Virada Cultural em Bauru. “A prefeitura está de parabéns porque nós não temos muitas atividades nesse sentido. É uma diversão cultural”, enfatizou Jeanete.

Ela ainda ressaltou que gosta muito de dança e que não tem tantas oportunidades de apreciar espetáculos de balé. “ Eu amo dança e não tenho muita oportunidade de assistir esse tipo de espetáculo”.

Mariana Harue também estava atenta assistindo à dança e defendeu a aproximação da arte ao cotidiano. “Eu acho muito bom que a arte torne-se mais acessível. É tudo gratuito então as pessoas que não têm tanto poder aquisitivo podem conhecer e ter uma oportunidade de gostar de arte”, disse.

Com “gostinho de quero mais” a Virada Cultural foi deslocando as pessoas que, ao final de um evento, se dirigiam para o outro. Assim, prometiam fazer durante a noite e madrugada.

Procurando diversificar os olhares e ouvidos culturais, Érica Vieira levou a filha Sofia Domingues para assistir ao show da banda The Almighty Devil Dogs que dispersava o seu rock no palco do Anfiteatro Vitória Régia, no início da noite de ontem. “Eu adorei a banda. Está muito legal o show. Depois nós ainda vamos seguir a programação e assistir ao show do Tom Zé no Sesc”, contou Érica.

Pouco antes das 21h o público já lotava o Sesc para curtir o som irreverente do cantor e compositor Tom Zé. Como é tradição na casa, o show começou praticamente na hora programada e incendiou a plateia. O músico apresentou o seu novo trabalho, intitulado “Pirulito da Ciência”. Mas quem estava no show já demonstrava que a noite e madrugada prometiam com mais shows, baladas e eventos alternativos na agenda. E o mais importante: tudo de graça. Leia no JC Cultura a programação completa da Virada Cultura neste domingo.

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Programação de hoje promove diversidade

Para o início da madrugada de hoje, no palco do Vitória Régia, estava previsto show da banda de rock Ultraje a Rigor. “Invadindo a nossa praia” prometia levantar o público com o seu rock clássico dos anos 80. Em seguida os DJs iniciariam a maratona eletrônica à 1h30 na Estação Ferroviária com os músicos da região Antony, Fer Siqueira, Ricardo Farhat, Gustavo Assis Live, Lokers, Baccari, Lukestrike, Lukas Edmosh e Minari.

Hoje os principais nomes da música que atrairão novamente o público que procura diversidade cultural serão os sambistas Demônios da Garoa e Diogo Nogueira, que agitarão a última parte da Virada Cultural a partir das 15h30. Para encerrar a programação a cantora Ná Ozzetti traz os clássicos de Carmem Miranda ao palco do Teatro Municipal às 16h30.

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Arte de rua atrai olhares dos curiosos

A oficina de grafite que aconteceu na tarde de ontem no Parque Vitória Régia reuniu artistas de rua e olhares curiosos de bauruenses que ainda confundem a arte com a pichação. Luis Gustavo Martins, bauruense grafiteiro há 7 anos, expôs seu trabalho em muros do local que foram disponibilizados para a arte.

A história de “LG”, codinome que utiliza ao assinar seus grafites, é comum a muitos outros rapazes da mesma faixa etária que ele. Jovem com 22 anos, ele teve a primeira experiência com a arte pintando quadros, mas também foi pichador.

“Isso é muito ruim. A pichação não leva a nada. Eu fiz muitos grafites autorizados para cobrir pichações”, relata. Com o seu trabalho abstrato e surrealista, ele leva alegria aos muros e também a galerias. “Eu já fiz exposições no Teatro Municipal, ministro oficinas em escolas. Faço trabalhos até para grandes empresas”, ressalta.

Outro exemplo de superação e amor à arte é o seu parceiro Ricardo Miranda, também de 22 anos, que a partir da pichação descobriu o talento para o grafite. “Eu trabalho mais com letras. A pichação não leva a nada. Hoje eu faço grafite por amor”, enfatizou.