09 de julho de 2026
Política

Roque Ferreira e Estela dobram pelo PT

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 5 min

Com a proposta de dialogar com a sociedade, a vice-prefeita Estela Almagro e o vereador Roque Ferreira se apresentam como a opção de dobradinha do Partido dos Trabalhadores (PT) em Bauru para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e Câmara dos Deputados, em Brasília, respectivamente. Militantes experientes, a dupla irá trabalhar para a consolidação do “Projeto PT”, que inclui a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República e Aloizio Mercadante para o Palácio dos Bandeirantes, e a quebra da hegemonia demo-tucana no Estado. Além disso, eles garantem que, apesar de terem agendas em comum na cidade e região, não estarão prisioneiros das dobradas territoriais.

“O PT representa um projeto, com candidatura nacional e estadual. Tudo o que diz respeito a esse projeto para o Estado e para o Brasil vai incluir eu e o Roque juntos, tanto na agenda local quanto na agenda regional. Eu tenho andado muito. A minha campanha, particularmente, não será apenas em Bauru e tão pouco será só da região. Tenho campanha forte na Capital, região de Campinas, de Osasco e de Guarulhos. Isso significa que você tem outras dobradas e outros parceiros atuando dentro de alguns temas como, por exemplo, mulheres, negros, juventude, e com isso você cria uma agenda que muitas vezes é específica e muitas vezes comum. Na questão local e regional, com certeza nossa agenda vai colidir por conta dos interesses políticos mais voltados para o contexto local e regional”, afirma Estela.

Nesse sentido, Roque ressalta que os candidatos a deputados federais e estaduais constroem dobradas de acordo com vários temas. “Se você tem um candidato com um agrupamento na cidade que defende a temática racial, que propõe que você faça uma dobrada com outro candidato a deputado estadual e federal, não há problema nenhum em fazer, porque candidatos do PT não disputam votos com candidatos do PT. Numa eleição proporcional você agrega. Minha candidatura tem um perfil bem estabelecido pela vinculação estreita com o movimento operário, movimento popular e dos trabalhadores. Nós vamos fazer campanha em várias cidades do Estado.” O petista cita como foco as cidades de Sorocaba, Campinas, São José do Rio Preto, Garça, Marília, Araçatuba, Lins e outras.

A vice-prefeita diz que a dupla quer trazer para Bauru a oportunidade de ter mandatos que dialoguem com a população, além de ter um deputado que apenas traz recursos para a cidade. “Faz parte do trabalho porque a lei prevê. Acho inclusive que isso precisa ser revisto, porque alguns deputados ficam exclusivamente se servindo de trazer emenda e isso acaba virando instrumento de chantagem eleitoral. Está na hora de Bauru experimentar, dentro do plenário estadual, um mandato diferentemente do atual deputado que nós temos hoje, que dialogue com temas que são importantes para a região. O que o deputado que nós temos hoje pensa do excesso de presídios na região e o que isso afetou a segurança? Isso só descentralizou o crime organizado no Estado, criou uma demanda social que os municípios não conseguem digerir. Isso é um tema para o deputado atuar.”

Roque destaca também discussões de projetos amplos para a sociedade, como a reforma trabalhista. “Nossa mandato estará radicalmente comprometido em manter conquistas que nós já temos e ampliar direitos. Discutir a temática da jornada de trabalho, o fim das terceirizações, que hoje é um instrumento de precarização das relações de trabalho. Vamos colocar no centro do debate os transportes. Para que isso ocorra, temos que debater e exigir que o controle do sistema ferroviário volte para as mãos do Estado. Vamos dar um apoio fantástico e continuar combatendo que se que faça reforma agrária. Não é só dar terra. É disponibilizar terra, recursos, enfim, uma série de discussões, porque é muito pouco eleger um deputado federal para que ele seja um intermediador de pequenas verbas e transforme os municípios em mendigos institucionais. De forma republicana, nós temos que combater para que sejam feitos investimentos nos municípios.”

Cetesb

Além de se apresentarem como opção no processo de alternância de poder, o objetivo das candidaturas dos petistas é também derrotar a hegemonia demo-tucana em São Paulo que, segundo o vereador Roque Ferreira, destruiu o Estado. “São Paulo precisa dar sua cota de contribuição para que a gente possa fazer as mudanças necessárias no Brasil. Durante os oito anos do governo Lula, o Estado de São Paulo cooperou no sentido de não participar, não se entregar em nenhum programa do governo federal que pudesse dar visibilidade ao governo federal, e várias ações do governo federal que foram desenvolvidas no governo federal eles fizeram questão de esconder”, afirma.

O petista destaca que em Bauru isso não foi diferente. “A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ligada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, não libera as licenças ambientais, do projeto habitacional Minha Casa Minha Vida, principalmente das 3 mil casas que serão construídas para pessoas que têm baixa renda. Quem tem que responder às 30 mil pessoas que fizeram inscrição do projeto é o PSDB, porque é ele que controla a Cetesb. Se for para agir dessa forma, nós vamos ter que rediscutir a cidade e saber porque não foi feita a licença ambiental da avenida Nações Norte, que é uma obra importante. Vamos ter que discutir se as casas do CDHU liberadas em Avaí tiveram licenças ambientais, se todos os empreendimentos que estão sendo feitos em Bauru têm licenças. É um debate que vamos ter que fazer. Isso demonstra que a prática de se administrar um Estado, por mais que se demonstre a modernidade, não passa de política de coronéis.”

O petista também cita o escândalo da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), cuja diretoria é investigada por desvio de dinheiro público. “É um debate que será feito. Alguém terá que prestar conta para a população. Isoladamente o programa Minha Casa Minha Vida já supera todo o investimento estadual na cidade de Bauru, de R$ 250 milhões. Se o debate for em reais, não tem dúvida nenhuma que eles já perderam. Eles precisam fazer cálculo melhor, precisamos discutir a essência dos projetos” diz Estela.