O ser humano tem o costume de dar explicações míticas e mirabolantes para coisas simples. Essa é a avaliação da mestre em filosofia Juliana de Souza. Segundo ela, quando as coisas “somem” é porque foram esquecidas em algum canto e não porque “têm pernas”.
Premonições e sonhos, segundo ela, são coisas mais complexas. Ramos da ciência estão estudando tais assuntos e ainda não há uma conclusão concreta. “Mas, na minha opinião, o cérebro humano pode ser o agente provocador de tais fenômenos”, afirma.
Juliana diz que quando era criança pensava muito sobre a existência de vida em outros planetas e se aterrorizava com a hipótese. Até hoje ela acredita nessa possibilidade, mas não aceita a paranormalidade. Na opinião dela, isso é algo que faz parte do imaginário das pessoas.
A pesquisadora afirma que nem tudo pode ser explicado pela ciência. Mesmo porque, segundo ela, a ciência só explica aquilo que interessa financeiramente. “Não nos esqueçamos que vivemos num sistema capitalista. Nunca uma pesquisa cientifica parte de um interesse neutro”, afirma.
A filósofa Mariana Cláudia Broens, professora do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília, também é taxativa. Na avaliação dela, não há nenhuma evidência de que fenômenos que possam ser considerados como “paranormais” ou “sobrenaturais” efetivamente ocorram.
Segundo ela, todas as alegadas “provas” da ocorrência desses fenômenos não conseguem sustentar-se diante de uma investigação séria. Ela cita como exemplo as imagens que choram e sangram e os círculos geométricos que aparecem nas plantações.
Mariana sustenta que tais fatos foram investigados por cientistas e concluiu-se que nada mais eram do que fenômenos naturais (como as reações químicas responsáveis pelas estátuas que parecem chorar) ou de tentativas deliberadas de enganar o público (como o caso dos círculos).
O psiquiatra e psicoterapeuta Wilson Siqueira cita Dante Alighieri para dizer que a mente humana é tão poderosa que pode transformar um céu em um inferno e um inferno em um céu. Segundo ele, a grande maioria das pessoas com graves transtornos psiquiátricos experimentam facilmente sensações como ver claramente a imagem de pessoas mortas (a exceção dos espíritas) e sentirem-se tocadas ou sentir o cheiro de alguém que não poderia ver.
“Muitas vezes, estes delírios podem ter a ver com alterações em mediadores químicos do cérebro, como, por exemplo, a dopamina”, afirma o psiquiatra. Para ele, a premonição também tem sua matriz no cérebro.
A questão dos óvnis, segundo ele, é diferente. “Conheço centenas de pessoas que já viram e, a princípio, são pessoas normais”, cita. “Infelizmente, como em tudo o que é humano, há muita empulhação e falta de escrúpulos e pessoas ditas paranormais o fazem para benefício financeiro”, pondera.
Para o psiquiatra Evandro Borgo, não há uma resposta que pode ser considerada universalmente correta. “É por isso que as crenças de uma pessoa devem ser respeitadas. Julgar o que há de real ou não em tudo isso é muito difícil”, defende.
Segundo ele, não dá para se descartar a experiência mística como uma realidade concreta. No entanto, ele lembra que existem experiências patológicas bem conhecidas pela medicina, que são as alucinações, ilusões, delírios.
São experiências que estão presentes em vários quadros mentais, como pacientes sugestionados, esquizofrênicos, eufóricos e até em pacientes com distúrbios neurológicos (epiléticos, que sofreram derrame, com tumor cerebral). “Apesar de muitos pontos contra o misticismo há vários indícios de que a fé ajuda na recuperação de enfermidades e que a vida psíquica saudável necessita de uma espiritualidade madura”, afirma.
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‘Na casa de meu pai, há muitas moradas’
Carlos Eduardo Noronha Luz, estudioso da doutrina espírita, cita uma passagem bíblica para falar da possibilidade da existência de mundos em universos paralelos ao nosso. Ele lembra que Jesus, durante sua permanência na Terra, disse que na casa do Pai há muitas moradas.
“Podemos considerar como sendo mundos em universos paralelos ao nosso, onde poderiam viver e evoluir seres inteligentes e/ou irracionais com biologias compatíveis com a natureza de tais realidades. Poderiam também habitar tais mundos seres espirituais com corpos sutis que prescindem de interação com a realidade física de tais orbes”, sustenta.
Sobre as atividades paranormais, Carlos diz que, primeiramente, é preciso buscar a explicação natural para tais fenômenos dentro do arsenal de possibilidades fornecidos pela ciência dita ortodoxa. Caso a explicação para um destes fenômenos não for encontrada nesta esfera, pode-se, então, buscar a resposta paranormal para o mesmo.
Na opinião dele, a ciência pode ser entendida como sendo a fração do saber infinito do Criador que foi permitido aos seres humanos se apropriarem dela. “Por ser parte e não o todo, a ciência só pode explicar os fatos que acontecem no escopo deste seu saber limitado.”
Ao se chegar aos níveis mais profundos da busca do conhecimento científico, Carlos diz que “a soberba elitista de ter a posse da erudição acaba por dar espaço à percepção do cientista de que o volume do desconhecimento é infinitamente maior do que o minúsculo espaço do saber dominado.”
Assim, segundo ele, quem se empenhar em estudar com profundidade a causa científica, acabará obrigatoriamente por perder o orgulho e, humildemente, chegar à conclusão socrática de que a única coisa que sabe é que nada sabe.