09 de julho de 2026
Bairros

Falta de dinheiro limita atuação

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Concentrar todos os idosos em um único pavilhão enquanto o outro passa por reformas, realizar eventos beneficentes, ou contar com mão de obra voluntária para realizar alguns reparos de maior urgência são algumas das alternativa adotadas pelos administradores da Vila Vicentina para driblar a falta de verbas sem ter de interromper as atividades da entidade. É assim desde que a instituição foi fundada, em 1 de março de 1940.

Atualmente, existem dois pavilhões fechados para reforma, um da ala masculina e outro da feminina. Por conta disso, das 80 vagas disponíveis, somente 42 estão ocupadas por abrigados.

De acordo com Delfina Rosa Pregnolato, 57 anos, vice-presidente da Vila, a falta de dinheiro é o principal limitador para as atuações da entidade. Fator que faz com que toda e qualquer mudança caminhe a passos lentos.

“As coisas têm de ser feitas aos poucos. O prédio aqui é muito antigo e muita coisa precisa ser reformada. Claro que temos terreno suficiente para construir pavilhões mais modernos, mas nos falta verba. Então, vagarosamente, vamos fazendo conforme podemos”, explica.

Atualmente, a entidade espera a conclusão das obras no pavilhão masculino para que possa transferir os idosos para a unidade e iniciar as reformas no pavilhão feminino. “Se dependesse exclusivamente de nós, mudaríamos muita coisa por aqui. Modernizaríamos a enfermaria, faríamos novos pavilhões, instalaríamos tudo do bom e do melhor para dar conforto aos nossos abrigados, mas sabemos que isto é uma utopia”, afirma Luiz Minorello Neto, 70 anos, presidente da entidade.

Cerca de R$ 55 mil são gastos por mês para manter a entidade. Para cobrir despesas que vão de funcionários à alimentação dos idosos, perpassando remédios, a Vila Vicentina tem de realizar diversos projetos.

Além da verba que recebe do município, a entidade retém 70% da aposentadoria dos asilados, de comum acordo com eles, e realiza eventos beneficentes.

“Só o que recebemos do município e das aposentadorias não é o suficiente, por isto fazemos o bazar, bingos, o churrasco, almoços e chás beneficentes. Além disso, temos uma equipe que faz o trabalho de telemarketing, liga nas residências pedindo auxílio”, completa Luiz.

Doações em dinheiro devem ser feitas diretamente na instituição, localizada na rua Jorge Pimentel, 2-5, Vila Engler.

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Bazar

Para amenizar a escassez de verbas, a Vila Vicentina teve de usar a criatividade. Um dos eventos criados para angariar fundos foi o Bazar, que já se tornou tradicional na entidade. Nele são vendidos itens que são fruto de doações e, no final do mês, representam uma grande ajuda de custo para a entidade.

“Aqui recolhemos todo tipo de doação, desde roupas até móveis e eletrodomésticos. Algumas coisas separamos para os abrigados, o restante disponibilizamos para a população, tudo a preços simbólicos”, conta Margareth Felipe, 48 anos, voluntária responsável pelo Bazar.

De acordo com ela, a prática traz bons resultados para a entidade, mas também demanda muita atenção e disposição. “Muitas pessoas querem doar, mas não avaliam se a peça está em condições de ser usada. Por conta disso, quando os donativos chegam aqui temos de selecioná-los”, aponta.

O Bazar é realizado todas as quintas-feiras, das 8h às 16h, e sextas-feiras, das 8h às 14h, na Vila Vicentina. Interessados em doar materiais devem entrar em contato pelo telefone (14) 3103-0050 . A entidade realiza o transporte do donativo.

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Voluntários

Não há quem conteste a importância do trabalho voluntário em prol de causas sociais. Porém, entre tantos admiradores da benfeitoria, são poucos os interessados em colocar a mão na massa e participar desta nobre rede de caridade.

A falta de voluntários é um dos principais problemas enfrentados pelo abrigo de idosos Vila Vicentina. Por conta do déficit, a entidade teve de reduzir o número e a frequência de eventos, atitude que acaba por comprometer o orçamento do local.

“Antes realizávamos um número bem maior de almoços e chás beneficentes por ano, agora fazemos este tipo de evento na medida do possível. Isto porque é preciso gente para ajudar a organizar, e nem sempre temos colaboração suficiente”, aponta Delfina Rosa Pregnolato, 57 anos, vice-presidente.

Luiz Minorello Neto, 70 anos, presidente da entidade, aponta que o voluntariado esbarra em uma questão bastante complicada: a renovação de interessados na causa. “Os vicentinos estão envelhecendo e ficando sem substitutos. Tentamos fazer algumas reuniões com o pessoal mais jovem, mas eles desanimam rápido. Até mesmo quando realizamos festas para os internos é difícil encontrar bandas jovens que se disponham a tocar, quem mais aceita é a velha guarda de sanfoneiros e violeiros”, destaca.

Interessados em colaborar com serviço voluntário devem entrar em contato com a Vila Vicentina pelo telefone (14) 3103-0050.