09 de julho de 2026
Geral

Falta de ‘fita’ prejudica diabéticos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Portadores de diabetes que possuem o direito de receber gratuitamente do Estado materiais e medicamentos para se tratar estão sofrendo dificuldades para realizar o controle da doença. Eles reclamam que, desde o início deste mês, a farmácia mantida pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6) em Bauru, na quadra 5 da rua Quintino Bocaiúva, deixou de fornecer as fitas para medição de glicose.

Todos os pacientes que recorrem ao estabelecimento possuem mandados de segurança impetrados na Justiça para receber, mensalmente, os insumos receitados por seus médicos para o tratamento do diabetes. Mas desde o último dia 10, a falta das tiras tem provocado transtorno e indignação entre os pacientes e seus familiares.

A fita possui um reagente que, em contato com o sangue, aponta os níveis de glicemia do paciente e, por esse motivo, é imprescindível para determinar a quantidade de medicação e insulina necessária para manter o diabetes sob controle. O problema é que este procedimento tem de ser realizado várias vezes ao dia e muitos doentes estão sendo obrigados a comprometer o orçamento com a compra do material, que custa caro.

A aposentada Solange Aparecida Garcia Chaves, 54 anos, teve que desembolsar R$ 90,00 para comprar uma caixa com 25 tiras para o marido Raul Chaves Junior, de 57 anos. Ele precisa fazer o controle do diabetes três vezes ao dia, mas por medida de economia, o procedimento teve de ser reduzido para dois, sob risco de uma oscilação momentânea no intervalo entre as medições resultar em consequências mais graves. Dependendo do tipo e se os níveis de glicemia estiverem muito elevados, o diabetes pode matar em poucas horas.

“Além de mim, são vários usuários que estão vivendo essa mesma situação delicada. Toda vez que vou lá, encontro pacientes com a mesma queixa. A gente procura informações com os funcionários, mas ninguém sabe dizer nada”, revela.

Segundo a aposentada, as irregularidades na entrega dos materiais tiveram início em julho do ano passado e, desde então, se tornaram recorrentes. No entanto, afirma que nunca ficou sem os insumos por um período tão longo como agora.

Ontem ela protocolou no estabelecimento um pedido oficial de explicações à diretoria da DRS-6, já que os materiais e medicamentos voltados aos diabéticos são de uso contínuo e, portanto, os estoques precisam estar sempre abastecidos. Consultada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde informou que houve atraso na entrega do material por parte do fornecedor, mas adiantou que a distribuição na farmácia deve ser normalizada até a próxima sexta-feira. Não reconheceu, porém, que o problema esteja afetando todos os usuários que precisam das fitas, já que, segundo a assessoria de imprensa, cada mandado de segurança é analisado e cumprido individualmente.

Enquanto o problema não é resolvido, pessoas como Rosa Maria dos Santos Boaventura permanecem angustiadas. Mãe de Jean Carlos, de 12 anos - 11 deles de convivência com o diabetes -, ela também não consegue acesso às tiras reagentes há duas semanas. Para sanar o problema, está recorrendo ao limite do cartão de crédito.

“Como a retirada dos materiais é bastante controlada, a gente só recebe o que será utilizado dentro de um mês. No dia 9, acabaram as tiras que eu tinha em casa e, no dia seguinte, fiquei sem nenhuma, porque não tinha na farmácia do Estado. O diabetes é uma doença cara e alguma providência precisa ser tomada. O que foi determinado pela Justiça precisa ser cumprido”, defende.