10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A PALAVRA FESTA AGORA TEM SABOR DE SANGUE


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Na “festa” de Hortolândia, no último dia 21/5/2010, o peão Agenor Carlos dos Santos, 35 anos, morreu pisoteado por um touro, deixando esposa e filhos menores, cena “emocionante” apreciada por milhares de adeptos dos rodeios que estavam lá assistindo. Ora! Peão é mesmo artigo descartável. Segundo a Lei Federal 10.220/2001, Art. 2º Parágrafo 1º a sua vida vale 100 mil reais, enquanto que alguns touros “bandidos” podem chegar até mesmo na casa dos milhões de reais, então...

Mas, bem próximo a nós, aqui na vizinha cidade de Piratininga, no mesmo período entre os dias 20 a 23, também houve a XV “Festa” de Peão Boiadeiro com a realização de rodeio, e no seu primeiro dia um fato chamou a atenção de todos participantes: durante uma das montarias, o touro, após corcovear, caiu e fraturou uma das suas patas traseiras. Imaginem a cena: o imenso animal com a pata quebrada, fratura exposta, pendurada e sangrando, tentando inútil e desesperadoramente levantar-se... E mesmo assim o “emocionante espetáculo” continuava, e sem sucesso o touro continuava caído ao solo, urrando de dor. (você já sofreu alguma fratura exposta? Se a resposta for sim, então você sabe a intensidade da dor).

Nesse momento, laçaram-no pela cabeça a fim de tirá-lo do local arrastando-o pelo pescoço (isto é, esganando-o) com a corda. Para não “brindar ainda mais” o público com esta cena extra, as luzes da arena foram covardemente apagadas, fez-se um silêncio e na platéia ouvia-se apenas o choro de dor do animal. Após a retirada do mesmo, como se fosse um trapo de chão, simples objeto inanimado, a iluminação novamente foi acesa e a voz do locutor ecoou no recinto, o qual “explicou” aos expectadores o que tinha acontecido. Dentre outras coisas, que o animal diante desse tipo de “ocorrência”, não existia nada a ser feito a não ser o abate.

O mais incrível é que o touro passou agonizando até o dia seguinte esperando a abertura do matadouro.

E dizem ainda que o ser humano é racional? ... E a “festa” continua...

Fátima Schroeder - presidente da ONG Naturae Vitae - www.naturaevitae.org