11 de julho de 2026
Regional

Greve na circular de Marília continua hoje por melhores salários

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Marília – A greve dos funcionários da Empresa Circular de Marília deve continuar hoje, apesar da tentativa de negociação frustrada de ontem do prefeito Mário Bulgarelli (PDT) com a direção do sindicato para suspender o movimento. A empresa reclama que o sindicato da categoria não está respeitando a liminar da Justiça que determina aos motoristas e cobradores a manterem 40% da frota circulando em horários normais e 60% em período de pico.

Cerca de 250 funcionários decidiram paralisar suas atividades por tempo indeterminado desde a madrugada de segunda-feira. A paralisação afeta mais de 43 mil usuários do transporte coletivo. Os funcionários não concordam com o reajuste proposto pela empresa de 7% sobre o salário mais refeição. A categoria reivindica 15% de aumento, equiparação salarial com cidades da região, reposição da inflação e vale-refeição.

A Empresa Circular de Marília informou que obteve liminar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas garantindo a circulação de 52 ônibus nos horários normais e 78 ônibus nos horários de pico (das 6h às 8h e das 17h às 19h). Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 20 mil .

Ainda segundo a empresa, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbanos de Marília e Região foi notificada da decisão apenas às 10h30 de ontem. O ônibus que faz a linha César Almeida foi o primeiro a deixar a garagem, às 10h45.

No final da tarde, a Empresa Circular de Marília acionou novamente a Vara do Trabalho de Marília alegando descumprimento da liminar pela categoria. Segundo ela, apenas 27% da frota, ou 36 veículos, estavam nas ruas durante o dia. “E para dificultar o trabalho, todo veículo que tenta sair da garagem da empresa é “barrado” por membros do sindicato que entram na frente dos mesmos e dizem que não tem permissão para sair”.

No início da noite, a empresa informou que motoristas e cobradores, que voltaram ao trabalho, temiam retaliações durante madrugada e de os ônibus serem depredados. “É lamentável que a liminar não esteja sendo cumprida, apesar de todo empenho da empresa. Esperamos uma solução o quanto antes porque os usuários são os maiores prejudicados pela paralisação, que durou 36 horas, e pelo sistema paliativo de rodízio dos ônibus”, diz a empresa em nota.

O prefeito Mário Bulgareli (PDT) reuniu-se com o comando do sindicato para tentar encontrar uma solução para a greve dos motoristas e cobradores, mas não houve acordo. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, uma nova reunião, desta vez com a direção da empresa, está marcada para hoje.

A reportagem não conseguiu ouvir ontem até o fechamento desta edição nenhum representante da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbanos de Marília e Região.

____________________

Negociação salarial

A Empresa Circular de Marília informou por meio da assessoria de imprensa que não negocia mais valores com o sindicato da categoria e que vai aguardar o julgamento do dissídio coletivo pela justiça trabalhista. A audiência de conciliação e instrução entre a Circular e a entidade está agendada para amanhã, às 16h.

Segundo a empresa, inicialmente, foram oferecidos 6,5% de aumento, acima dos 5,29% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mas a categoria não aceitou. A segunda proposta foi de 7%, mas novamente não houve acordo. Finalmente, a empresa ofereceu 7%, mais refeição, mas os funcionários não concordaram.

A tarifa do ônibus circular em Marília é de R$ 2,10, inclusive o passe integração. Estudantes pagam a metade desse valor. Segundo a empresa, o último reajuste foi autorizado pela prefeitura em 1 de fevereiro de 2007, há 39 meses. A Circular protocolou pedido de reajuste da tarifa para R$ 2,50, mas não teve resposta da Prefeitura.