Marília – Uma audiência de conciliação entre a Empresa Circular de Marília (100 quilômetros de Bauru) e o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbanos de Marília e Região, agendada para hoje às 16h, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, poderá pôr fim ao clima de instabilidade que prejudicou cerca de 43 mil usuários do transporte coletivo desde segunda-feira, quando funcionários da empresa entraram em greve. O movimento foi suspenso ontem, mas a categoria não descarta uma nova paralisação.
Na manhã de anteontem, uma liminar do TRT determinou que fossem colocados na rua 52 ônibus nos horários normais (40% da frota) e 78 ônibus (60% da frota) nos horários de pico (das 6h às 8h e das 17h às 19h), sob pena de multa diária no valor de R$ 20 mil. À tarde, a Circular acionou a Justiça alegando que a categoria não estava cumprindo a decisão e que havia liberado apenas 27% da frota, ou 36 veículos, durante o dia.
No fim da tarde, o prefeito Mário Bulgareli (PDT) reuniu-se com o sindicato para tentar encontrar uma solução para a greve dos motoristas e cobradores, mas não houve acordo. Contudo, ontem pela amanhã, a categoria voltou atrás e os ônibus passaram a circular normalmente pelas ruas.
Segundo o presidente do sindicato, Milton Benedito, os trabalhadores decidiram recuar da greve em respeito à população da Marília e assumir um ‘estado de greve’, o que significa que o movimento poderá ser retomado a qualquer momento. “Nós estamos pensando no trabalhador e na população”, afirma.
De acordo com ele, a empresa tem se esquivado de negociar o reajuste salarial proposto pela categoria desde o dia 19 de abril, quando começaram as rodadas de negociação. “A gente está forçando uma negociação”, conta. “Nós precisamos ter uma equiparação com a região. Não estamos pedindo mais do que o justo”.
A Circular ofereceu aos trabalhadores reajuste de 7% sobre o salário mais refeição, mas a categoria reivindica 15% de aumento, equiparação salarial com cidades da região, reposição da inflação e vale-refeição.
Por meio da assessoria de imprensa, a empresa informa que não vai mais negociar valores com o sindicato e que aguarda o julgamento do dissídio coletivo pela justiça trabalhista.
Segundo a Circular, a oferta de uma reposição salarial maior aos trabalhadores é inviável em razão do valor da tarifa do ônibus circular em Marília, que é de R$ 2,10, inclusive o passe integração, e a metade do valor no caso de estudantes.
De acordo com ela, o último reajuste foi autorizado pela prefeitura em fevereiro de 2007, há mais de três anos. A empresa pede que a tarifa seja de R$ 2,50, mas ainda não teve resposta da Prefeitura.