Ao ler a carta da leitora Angela Maria Pereira cheguei a uma conclusão: “Nosso mundo é realmente uma piada”. Como podemos levar a sério a ideia do respeito ao próximo se há tantas pessoas donas de suas verdades e que nunca conseguem se colocar no lugar do outro e tentar enxergar seu ponto de vista. Eu tentei entender onde a senhora Angela quis chegar com seu comentário, inclusive esperei um pouco para escrever esta carta para não deixar-me levar pela indignação. Talvez ela tenha falado sem informar-se como realmente as coisas acontecem no serviço público educacional. Então vou tentar esclarecer alguns pontos obscuros: 1º - No período da greve ninguém perdeu matéria alguma, uma vez que não houve aula. O conteúdo foi retomado de onde haviam parado; 2º- A greve é direito do trabalhador para ter suas reivindicações atendidas, porém nenhuma delas foram atendidas, apesar da promessa do governo do estado em abrir negociações caso houvesse a interrupção da greve; 3º- A reposição ainda não foi negociada pelo governo do estado, ela está acontecendo por orientação dos sindicatos em função dos 200 dias letivos exigidos por lei. 4º- Todos os grevistas tiveram seus dias descontados em folha de pagamento e vão receber pela reposição como serviço eventual, mas ainda não têm garantido a retirada das faltas, apesar das reposições aos sábados. 5º- A reposição é oferecida a todos os alunos , sem exceção, porém sabemos que muitos de nossos alunos já fazem outros cursos, pagos inclusive, neste mesmo dia, e eles não podem ser prejudicados caso não consigam ir, e disso seus pais devem estar cientes, pela defesa dos seus direitos. 6º- O professor é aconselhado a rever assuntos tratados durante a semana, reforçando com exercícios de fixação e ou revisão, o que será passado como atividade extra para os alunos que não puderem comparecer aos sábados. E finalmente 7º - Levar o filho às reposições cabe aos pais, é responsabilidade exclusiva deles uma vez nem a escola, nem ninguém poderá obrigá-los. Concluindo: se a senhora Angela ouviu que era ela quem deveria decidir se levava seu filho à escola ou não, ainda não consegui enxergar o problema que ela quis levantar como uma polêmica educacional. Sugiro que fique indignada com a política da aprovação automática, e, como cidadã, seja a precursora de um movimento pró-moralização dessa vergonha da Secretaria da Educação. Só para saber: as reivindicações não foram atendidas nem negociadas ainda, mas creio que muitos educadores lutam pelo que acreditam e ensinam com seu exemplo de perseverança e responsabilidade, apenas não respondo por todos.
Lucimara Brazolin - professora