Pyongyang - Em mais um episódio da deterioração das relações entre as Coreias do Norte e do Sul, Pyongyang ameaçou ontem bloquear o já restrito tráfego na fronteira e atirar nos alto-falantes que transmitam propaganda contra o regime.
Na véspera, o governo norte-coreano anunciara o congelamento das relações com Seul em represália às acusações de que afundou um navio da rival no fim de março. O episódio, na divisa ocidental da península, deixou 46 mortos.
Há uma semana, a Coreia do Sul alegou ter obtido provas irrefutáveis, após investigação, para atribuir ao vizinho a responsabilidade. A Coreia do Norte nega haver atacado a embarcação.
Levando a cabo ameaças da véspera, Pyongyang cortou ontem as comunicações com Seul e expulsou oito sul-coreanos do complexo industrial bilateral de Keonang - situado em seu território.
E prometeu “banir” a passagem de pessoas e veículos na divisa, o que afetaria sobretudo o parque industrial.
A Coreia do Sul anunciou, na última segunda, a suspensão do comércio com o Norte e retomou a transmissão de propaganda contra o regime.
Hoje, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, desembarcou em Seul e reiterou apoio ao aliado para levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, onde enfrentam resistência chinesa para impor medidas duras.
Apesar da neutralidade da China, no próximo fim de semana o premiê Wen Jiabao deverá ir a Seul. A expectativa é a de que Wen faça alguma mea-culpa pelo episódio.