10 de julho de 2026
Cultura

Projeto determina que os estudantes vejam duas horas de filmes nacionais


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Estudantes brasileiros de escolas públicas e privadas serão obrigados a assistir, no período de um mês, a pelos menos duas horas de filmes nacionais. A proposta faz parte de um projeto de lei, aprovado anteontem em caráter terminativo, pela Comissão de Educação do Senado.

De acordo com o texto, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), essa exibição passa a ser um dos componentes do currículo escolar.

O objetivo, segundo o político, é disseminar a cultura na rede pública de ensino a um custo reduzido e despertar nas crianças um maior interesse pelas produções nacionais.

“Escola sem cultura não é escola. É difícil fazer teatro em todas as escolas, mas cinema é perfeitamente possível. Com isso, a gente vai criar uma demanda para os filmes no futuro. Quando essas crianças crescerem, vão começar a ir ao cinema com mais frequência, entender e gostar mais dos filmes brasileiros”, declarou o senador em uma entrevista para a Rádio Senado.

Recreação

Para Maria Márcia Sigrist Malavasi, coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp (Universidade de Campinas), o projeto é interessante para a formação, mas ele não deve se resumir apenas a uma prática de recreação.

“Tudo depende do método que será utilizado para trabalhar o conteúdo. Dá para aprender assistindo filmes, agora é preciso que o professor que conduz uma atividade como esta esteja muito bem preparado, senão é mais um tempo perdido dentro da sala de aula”, diz Malavasi.

Maria Peregrina de Fátima Rotta Furanette, coordenadora do curso de pedagogia Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Presidente Prudente, opina que a medida é importante para resgatar a cultura brasileira. Segundo ela, é necessário, porém, criar um projeto pedagógico para que o trabalho dê resultados.

“O professor precisará aprender a escolher muito bem os filmes assim como hoje está aprendendo a escolher os livros didáticos. Ele tem que saber da qualidade dos filmes de acordo com a faixa etária com que ele vai trabalhar”, pondera Furanette.