08 de julho de 2026
Internacional

Oriente Médio trava acordo nuclear


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Cairo - O sucesso ou o fracasso da conferência de revisão do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear), que acaba hoje, depende, fundamentalmente, de um acordo sobre os próximos passos para a criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Uma reunião de mais de cinco horas na missão do Egito na ONU, da qual participaram negociadores de 17 países, incluindo o Brasil, terminou sem progresso.

Os EUA continuam exigindo que Israel - potência nuclear fora do TNP - não seja citado diretamente, o que não era aceito pelos países árabes. O arsenal de Israel é estimado em 200 ogivas. Especialista do Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, Jacqueline Shire explica a relevância do tema: foi graças à inclusão da cláusula em apoio ao estabelecimento dessa zona sem a bomba que a conferência de revisão de 1995 decidiu pela prorrogação indefinida da vigência do TNP. “O fato de não ter havido avanço nos últimos 15 anos sublinha a frustração dos países desarmados com o P-5”, diz Shire, referindo-se às cinco potências nucleares reconhecidas (EUA, Rússia, França, França, Reino Unido e China).

Um acordo de última hora sobre o Oriente Médio pode desbloquear os demais pontos de divergência, estimou o sueco Jarmo Sareva, secretário da Conferência de Desarmamento das Nações Unidas. Os negociadores brasileiros, chefiados pelo embaixador Luiz Felipe de Macedo Soares, acreditavam ter obtido um acordo satisfatório para preservar o caráter voluntário da adesão ao Protocolo Adicional do TNP. O protocolo permite inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em instalações não declaradas como de uso nuclear.

O P-5 não concordava em mencionar nem um “cronograma” para a eliminação dos arsenais nem a proposta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de convocação de uma cúpula sobre o fim da bomba, incluindo as potências extratratado (Índia, Paquistão e Coreia do Norte, além de Israel).

Numa entrevista concorridíssima, no prédio da ONU onde se realiza o encontro, o embaixador iraniano Ali Asghar Soltanieh citou outra precondição para um acordo: a anuência das potências em tornar legais as “garantias negativas’’, isto é, de que países sem bomba não serão atacados. Questionado se o Irã, sozinho, chegaria a bloquear uma declaração final, ele preferiu não ser direto. “Não haverá compromissos sobre princípios”, disse.