Nova York - Ao suspenderem suas ameaças de veto, Estados Unidos e Irã garantiram um acordo na conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, encerrada no final da tarde de ontem na sede da ONU, em Nova York.
A declaração final e o plano de ação de 64 pontos, aprovados pelos 189 países-membros do tratado, preveem convocação de uma cúpula em 2012 sobre o estabelecimento de uma zona livre da bomba no Oriente Médio.
Afirmam também que, até 2014, as cinco potências nucleares reconhecidas do chamado P-5 -EUA, Rússia, França, Reino Unido e China- devem reportar à comissão organizadora da próxima revisão, em 2015, progressos na desativação de seus arsenais atômicos.
Até o início da tarde, os EUA se opunham a que Israel, potência nuclear não declarada e não signatária do TNP, fosse citado no trecho sobre o Oriente Médio -acabaram concordando, mas “lamentaram profundamente’’ o fato em declaração ao fim do encontro.
A delegação iraniana esperou até a última hora instruções de Teerã para se unir ao consenso, mas preferiu não correr o risco de ficar isolada mesmo entre os 116 países do Movimento dos Não Alinhados, do qual faz parte.
O embaixador do Irã na ONU, Ali Ashgar Soltanieh, criticou em especial a exclusão de cláusula que comprometia as potências a dar garantias legais de que países desarmados não serão nuclearmente atacados.
Soltanieh não garantiu que seu país irá à cúpula de 2012. Disse que o “primeiro passo’’ para o Oriente Médio desnuclearizado é a adesão de Israel ao TNP. O Irã e seu programa nuclear não são mencionados nos textos. No discurso de encerramento, a delegação dos EUA atacou o país persa, no que foi visto como tentativa de dar satisfação a seu público interno.