A cadeira de presidente da Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB) parece não estar tão vaga com tantos pretendentes ao cargo e o presidente demissionário Maurício Nascimento Júnior, o Mauricinho, convocando a imprensa para uma entrevista coletiva hoje para só então confirmar sua renúncia, fato comunicado aos clubes filiados na semana passada. Na tarde de ontem, ele e seu vice Wilson Maceri, também demissionário, reuniram-se com o secretário municipal de Esportes, José Carlos de Souza Pereira, o Batata.
Mauricinho disse ao JC, na noite de ontem, que mantém sua disposição manifestada aos presidentes de clubes filiados à LRFB de se demitir do cargo de presidente. “Em princípio, sim”, afirmou Mauricinho, com uma resposta que deixa brecha para a dúvida. Na sequência, ele manteve o “voto de silêncio” prometido a outros órgãos de imprensa que o procuraram insistentemente durante os últimos dias e mais intensamente ontem.
Cauteloso demais para quem já havia tomado sua decisão, ele pediu a compreensão. “Fui bombardeado hoje (ontem). Agora há pouco, outra pessoa que foi convidada (para coletiva) insistiu para que adiantasse alguma coisa. E eu pedi que compreendesse que eu não vou... O Faria (Neto) me ligou hoje (ontem) cedo para ir no programa dele que abriria a pauta para mim. Pedi a ele que compreendesse”, frisa Mauricinho. Em relação à conversa com Batata, ele garantiu que a reunião teria sido para tratar exclusivamente de assuntos do futsal. Maceri preside a Liga Bauruense de Futebol de Salão.
Contemporizador, Batata disse ao JC, na tarde de ontem, que tentou interceder para que Mauricinho reconsiderasse sua demissão porque presta bom serviços ao esporte amador da cidade. No entanto, o secretário confirmou a intenção dele de manter a renúncia. “Ele me garantiu que é irrevogável. Até confirmei com ele se não era possível voltar atrás. Ele disse: ‘não’. Que era uma decisão pessoal que ele tomou.”
O secretário de Esportes expôs detalhes da conversa, ontem, na sede da Semel: “O que ele pontuou foi que já vem acontecendo há algum tempo. A briga do jogo do Oriente foi a gota d’água. Mas haviam problemas acumulados há algum tempo. Portanto, preferiram sair”, destaca Batata. A partida em questão foi a vitória por 2 a 1 do Fluminense sobre o Oriente, no Mirante Ferroviário, quando teriam ocorrido agressões e problemas disciplinares.
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Bira descarta e Jorge Pinholi
admite assumir
Um dos nomes indicados por vários dirigentes de clubes filiados à LRFB para uma emergencial substituição de Maurício Nascimento Júnior, o Mauricinho, no comando da entidade é Ubiratan de Oliveira, o Bira. “Não tenho nenhuma intenção de voltar”, frisa Bira. De maneira taxativa, ele recusou sob alegação de compromissos com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel). Bira tem como principais incumbências na Semel coordenar as Copas Big Boys e Golden Master.
Ele ressalta que está focado no desenvolvimento das duas competições. A Big Boys chega à nona edição e a Golden Master ao sexto ano e devem ocupá-lo até dezembro – mês previsto para o término da Golden Master. Bira não guarda boas recordações da sua tentativa de reeleição para um segundo mandato à frente da LBFA.
Já Jorge Pinholi, em contato ontem à noite com o JC, admitiu assumir a entidade, mas apenas em caráter temporário. “Sempre tive vontade de dirigir a Liga, mas achei estranho essa debandada. Estou em compasso de espera e que alguém venha falar comigo que não seja a imprensa. Mas se fosse para trabalhar temporariamente por um período curto, até que a ordem se restabeleça na Liga,até aceitaria”, considera Pinholi. E acrescenta:
“Mas tudo teria de ser conversado antes com os clubes, buscando o entendimento total e colocando as cartas na mesa para ver o que eles querem.”
Apesar disso, Pinholi defende que o presidente demissionário repense sua decisão. “Gostaria que ele repensasse. Não saberia fazer nem igual a ele seu trabalho, imagine melhor.”
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Sem rodada?
O estrago já está feito no campeonato, que não teve prosseguimento da sua terceira rodada neste último final de semana e pode não ter rodada neste próximo fim-de-semana. “Estou acreditando que no próximo final de semana (neste) não haverá rodada do campeonato da Liga Regional por conta da falta de uma entidade que responda e assuma os compromissos da realização desta rodada”, destaca Batata.
O problema que é interno à Liga Regional mobiliza a estrutura da Semel. O secretário diz que o prazo para a entidade solicitar os distritais para jogos encerra-se hoje. No vácuo de poder em que a Liga Regional mergulhou pode não haver tempo para os procedimentos administrativos junto à Semel, principalmente, porque a semana é curta com feriado na quinta-feira e, provável, ponto facultativo na sexta-feira.
Batata lembra que, se acionada a Semel, ainda é preciso que a secretaria mobilize oficialmente a segurança da Polícia Militar (PM). “Se for entregue amanhã (hoje) a carta de renúncia, como eu acho que vai ser, não vai ter tempo hábil”, explica. Batata entende que os clubes teriam de constituir nova diretoria, com prazo previsto nos estatutos da LRFB, e registrar a nova direção. Segundo o secretário de Esportes, só então a nova administração iniciaria providências administrativas.
Hoje, Mauricinho dará entrevista coletiva em que tornará pública sua decisão. Ao JC, ele destacou que representantes de clubes não terão espaço na coletiva. A nova diretoria foi reeleita para o mandato 2010/2013 em 22 de janeiro deste ano. Mauricinho já havia cumprido um mandato de 2006 a 2009 à frente da entidade do futebol amador.
O presidente do Esporte Clube Redentor e membro do Conselho Fiscal da Liga Regional, Ederson Reis, defende os nomes de Ubiratan de Oliveira, Bira, ou de Jorge Lélis Pinholi para tocar a entidade. “Acho que esses dois são, no momento, as pessoas indicadas para exercer o cargo. Porque o clima lá estava um pouco pesado em relação à diretoria”, explica. Reis não defende uma transição, porém como a renúncia está sendo anunciada de forma irrevogável, ele entende que não há outra alternativa momentânea, até que se possa fazer novas eleições.
“Diante da atitude tomada por ele (Mauricinho), vários conselheiros também deixaram (Conselho Fiscal). Eu como não estive presente na reunião, não pude me desligar diretamente. Até porque, agora, não tenho contato com ninguém”, define. Reis cita que não conseguiu contatar Mauricinho, mesmo sendo seu amigo. “Simplesmente, eu não consigo falar com o Maurício. A princípio, não defendo transição nenhuma. Mas diante da irrevogabilidade (renúncia), não vejo força mais para ele tomar à frente da situação”, opina.
Na sequência, ele aponta sua preferência para o cargo em eventual processo de transição de poder. “Vejo como mais adequado o Ubiratan porque, inclusive, ele é fundador da Liga e já trabalhei com ele. Pinholi, embora tenha várias referências, não o conheço pessoalmente e nem o modo de trabalhar”.