09 de julho de 2026
Internacional

BP inicia nova tentativa de bloquear vazamento


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Washington - Após falhar na tentativa de parar o vazamento de petróleo no golfo do México “entupindo’’ a boca do poço por onde ele sai, a BP tentará agora cortar parte da tubulação no leito marinho para tampar o local com uma cúpula.

Essa estratégia, batizada de “cut-and-cap’’ (cortar-e-tapar), permitiria captar o petróleo e bombeá-lo para cima. A chance de sucesso, porém, é baixa, afirma a própria empresa, que já fala numa terceira alternativa.

“Cavar poços de alívioainda ainda é visto como a melhor solução’’, disse ontem o porta-voz da BP, John Currie, em referência à estratégia de cavar poços em diagonal até atingir o poço principal. A medida aliviaria a pressão com que o óleo sai.

Segundo Currie, a primeira tentativa de “cut-and-cap’’ deve começar quarta-feira. Os poços de alívio já começaram a ser perfurados no começo de maio, diz, mas o governo dos EUA não crê que traga resultados logo.

“O povo americano precisa saber que é possível que tenhamos óleo vazando desse poço até agosto’’, disse a conselheira de energia Carol Browner, anteontem.

A demora poderia fazer o desastre ambiental mudar de escala. Até agora, engenheiros estimam que 75 milhões de litros de óleo já tenham vazado, e que poço danificado ainda solte cerca de 2,5 milhões de litros por dia.

O vazamento começou em 20 de abril, quando uma explosão danificou a tubulação na saída do poço principal.

A escavação do poço de alívio é complicada porque é é difícil “mirar’’ a perfuradeira para acertar o poço principal abaixo do leito marinho.

“A probabilidade de eles acertarem logo na primeira tentativa é virtualmente nula’’, afirma David Rensink, presidente eleito da associação dos geólogos de petróleo. Na medida em que a perfuração se aprofunda no leito marinho, o processo é desacelerado pela pressão crescente e pelo aumento da distância que as peças de revestimento do poço deve viajar até que sejam colocadas no lugar.

Se a tentativa der errado, o equipamento de perfuração deve ser retirado, o novo poço deve ser selado, e só então a tentativa se reinicia. Uma vez conseguindo fazer o poço de alívio encontrar o túnel do poço principal, porém, a estratégia deve dar certo. “Eu não admito a possibilidade de isso falhar’’, diz Tad Patzek, pesquisador da Universidade do Texas.

No caso improvável de nenhum dos poços ser escavado corretamente, o óleo deve permanecer vazando até que a pressão do reservatório subterrâneo diminua ou a boca do poço colapse.

A BP também enfrentou reclamações de pescadores contra o produto químico que tem usado para dispersar o óleo, que afetaria ainda mais os animais marinhos.