10 de julho de 2026
Esportes

Futebol Amador: Federação deve assumir comando da Liga

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Como é para valer a decisão de renúncia de Maurício Nascimento Júnior, o Mauricinho, da presidência da Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB) juntamente com toda sua diretoria e Conselho Fiscal, a Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA) poderá intervir na entidade, atualmente sem componentes nos principais cargos. A intervenção seria apenas temporária para convocação de novas eleições, registro de candidaturas, apuração e homologação da nova diretoria.

A renúncia de Mauricinho, confirmada ontem pelo próprio em coletiva à imprensa, poderá dar um novo rumo ao campeonato paralisado na terceira rodada e que não deve prosseguir neste final de semana, conforme divulgado na edição de ontem do JC. A retomada da disputa do torneio, no curto prazo, dependerá de decisão dos clubes filiados à entidade. O ex-presidente sugeriu, ontem, que os times cheguem a um acordo comum e banquem a continuidade do campeonato, assumindo as responsabilidades administrativas e financeiras.

O diretor jurídico da FPFA e presidente da Liga Nacional de Futebol (Linaf), Luiz Carlos Picolo, esclareceu ao JC, ontem, que a Federação irá intervir com a finalidade de promover a eleição após a LRFB comunicar oficialmente a Federação. Ele acrescenta que a Federação indicaria um interventor. O diretor jurídico da FPFA se diz surpreso com a informação da renúncia da diretoria eleita em janeiro deste ano. “Você está me dando o fato em primeira mão e estou até aqui me revelando perplexo. É um pessoal tão organizado. Inauguraram, há pouco tempo, uma nova sede e estavam até bem centrados. É difícil saber o que tenha ocorrido”, comenta Picolo.

Mauricinho esclareceu ontem que o artigo 19 do estatuto da Liga Regional prevê que na ausência – vacância – da diretoria assumiria o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPFA em Bauru. No entanto, não há TJD em Bauru e sim apenas uma Comissão Disciplinar, responsável por julgar os casos como tribunal de primeira instância, e os recursos vão para a Federação, que tem uma subsede no município de Americana.

Violência

Durante um longo pronunciamento na entrevista coletiva, Mauricinho explicou que sua renúncia foi ato pensado de comum acordo com os demais diretores e envereda para um ato de desagravo à violência crescente que virou corriqueira nos jogos de futebol amador promovidos pela entidade. “A gente acaba se tornando impotente para combater esses atos de indisciplina. Ameaças a árbitros, dirigentes”, elenca como fatores para sua saída da Liga.

Na sequência, o demissionário Mauricinho acrescentou se tratar de uma situação de insegurança. “O grande problema dos familiares, principalmente, dos árbitros, atletas e os próprios dirigentes de clube. Saem no domingo para praticar o futebol e não sabem como vão retornar. Se inteiros, de maca, se de ambulância. A gente não tem noção dessa situação”, detalha. “Queremos promover uma grande reflexão. Futebol não pode ser mais uma guerra”, provoca Mauricinho.

Ele garante que não se trata de fugir à responsabilidade. “Essa medida que nós tomamos não é uma medida simplesmente isolada ou uma medida covarde. Desrespeitando os clubes e público. Mas sim, uma medida corajosa. A gente estar enfrentando o problema e colocando à tona, provocando uma discussão com os clubes e comunidades”, frisa. Mauricinho lembrou que em 2007 quase não ocorreu o campeonato por conta da intervenção do Ministério Público e da Polícia Militar devido a problemas de segurança nos estádios. “Não adianta a gente continuar escondendo a coisa debaixo do tapete”, define o ex-presidente.

Ele também citou as constantes depredações dos distritais, com corte de alambrados, portas estouradas e banheiros estragados. Recorrendo a termos pesados como “selvageria e confronto de torcidas”, Mauricinho destacou que a finalidade última de parte dos torcedores é a confrontação. “Outra coisa que a gente pensou e repensou também é que a final de um campeonato deveria ser uma grande festa. A apoteose do campeonato se torna uma grande operação de guerra. Duas, três companhias de polícia, helicóptero, cavalaria, canil. A gente fica totalmente desestimulado de estar à frente desses vários problemas”, reflete o, agora, ex-presidente da LRFB. Segundo Mauricinho, a entidade não atrai patrocínios porque nenhum empresário ou empresa quer sua marca vinculada com problemas de violência vivenciados pela entidade.

Mauricinho esclareceu, na entrevista coletiva de ontem, que só aceitou concorrer à reeleição com a condição de que houvesse fim da indisciplina e da violência que se tornaram corriqueiras no amador da Liga Regional.

Mauricinho, na presença do seu vice-presidente Wilson Maceri e do diretor de árbitros Márcio Luiz Augusto, confirmou que comunicará sua renúncia ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPFA. Outra medida será reunir o quanto antes os presidentes dos clubes filiados para sugerir a possibilidade de continuidade do campeonato.

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Sucessão de poder

A Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB) foi fundada no dia 17 de janeiro de 1998, com a presença de José Fioque presidente da Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA), do seu vice Wallance Rocha e do diretor jurídico da FPFA Luiz Carlos Picolo, em cerimônia promovida no salão Regra Três, na sede do Bauru Atlético Clube (BAC).

Para o primeiro mandato foram eleitos Ubiratan Alves da Silva, o Bira, para presidente, Paulo Roberto da Silva – falecido – como vice e Maurício Nascimento Júnior, Mauricinho, como secretário-geral, para o mandato de 1998/2001. No quadriênio 2002/2005 foi eleito presidente Antonio Goulart Soares e Mauricinho permaneceu na diretoria como secretário-geral. Para o mandato 2006/2009, foi eleito Mauricinho, que se reelegeu este ano para mais um período de quatro anos na presidência da Liga Regional.

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Clubes opinam

O presidente do Esporte Clube Redentor, Ederson Reis, definiu como inviável que os clubes mantenham o campeonato, devido à ausência da figura de um mediador – até então desempenhada pela entidade a qual os times são filiados. “No caso seria a Liga como sempre foi. Vários são os problemas mas sempre teve a Liga como mediadora. Sem ela ou alguém no comando que venha exercer o comando, acho inviável e com cada clube defendendo seus próprios interesses, acho inviável”, opina. Ele aproveitou ontem para apresentar a Mauricinho a sua renúncia do Conselho Fiscal da Liga Regional. Reis acompanhou o pronunciamento do ex-presidente e a entrevista coletiva à imprensa da cidade.

Alfredo de Lima, diretor do São Francisco, avalia que não seria possível e nem ideal os times darem continuidade no campeonato. Ele avalia que seria mais oportuno uma nova diretoria assumir a entidade e tocar o campeonato. O diretor de futebol do Oriente, Eliezer de Freitas, acredita que existem pessoas competentes entre os clubes para tocar o campeonato paralisado na terceira rodada. O representante do Oriente também prestigiou o pronunciamento e entrevista coletiva de Maurício Nascimento Júnior, o Mauricinho. Ao término, ele disse ao JC que Bauru não pode ficar sem o campeonato.

O Oriente mantém esperança de reverter sua eliminação devido à indisciplina ocorrida na primeira rodada do campeonato da Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB), quando perdeu para o Fluminense por 2 a 1, no Mirante Ferroviário. Eliezer de Freitas comenta que o recurso foi encaminhado na segunda-feira (dia 17 de maio) para o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), da Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA), e que seriam grandes as possibilidades do Oriente voltar para a disputa.