O médico oftalmologista Raul Gonçalves de Paula, presidente da Comissão Provisória do Partido Verde (PV) de Bauru, é o pré-candidato da legenda a uma das 513 vagas na Câmara dos Deputados, em Brasília. A decisão foi tomada após uma análise e decisão consensual de uma lista tríplice no partido, que incluía ele, Ju Alvarez – que foi o candidato a vice-prefeito na eleição municipal passada pelo PV - e também Ermelindo Inácio Martins Júnior.
Em sua primeira disputa eleitoral, Paula calcula que precisaria atrair 60 mil votos para garantir sua legislatura em Brasília. “Sentamos e fomos avaliando os prós e contras e a conclusão foi colocar meu nome à disposição para que o partido cresça na cidade e tenhamos reais chances de eleição. Basta que um terço dos bauruenses queiram eleger um deputado federal e será suficiente. Com 60 mil votos elegemos um deputado federal e com 45 mil votos um deputado estadual, que no caso é o pré-candidato Clodoaldo Gazzetta”, observa.
Ele explica que resolveu partir para uma candidatura ao analisar o momento de sua vida pessoal e financeira, já que avaliou ter possibilidades de participar de um pleito. “Quando você está numa condição mais estável, até de forma financeira, você tem como participar sem prejudicar o seu ganho”, avalia.
Ele criticou candidatos que gastam verbas milionárias em campanha. “Costumamos ouvir comentários, como o de que ‘precisamos de ao menos R$ 2 milhões para eleger um deputado federal’. No meu entender, quem tiver esse dinheiro não pode achar possível recuperar isso com o salário disponível”, observa.
Ele garante que a campanha pensada pelo PV é mais humilde. “Mas com condições de sensibilizar a população de que precisamos representantes na cidade. E um dos veículos com chances reais de fazer essa eleição é o Partido Verde”, ressalta.
Paula destaca que nas eleições municipais, quando o candidato do partido à prefeitura Clodoaldo Gazzetta obteve mais de 30 mil votos, a proposta do PV foi bem assimilada pela população. "Na época tínhamos apenas dois minutos na televisão. Com esse tempo conseguimos fazer 50% a mais do que os outros candidatos fizeram com 15 minutos ou mais. Com criatividade, nós fizemos chegar a mensagem do Partido Verde."
Caso eleito, Paula ressalta que atuará em conjunto com a prefeitura para melhorias para a cidade. “Queremos ter a estrutura do PV fazendo projetos, levando à prefeitura, viabilizando-os de forma técnica e fazendo as incursões a Brasília para trazer isso para gente. Isso sim vai gerar recursos importantes”, destaca. Para ele, Bauru está pagando um preço alto por não ter um representante na Câmara dos Deputados.
“Estamos sem representatividade, apesar de termos a Estela, que seria a ponte com o Governo Federal. E essa ponte, para mim, tem sido na verdade uma pinguela, porque não temos esse feed back. Não sei como está o prestígio dela junto a Brasília. Mas era para termos muito mais passados 18 meses de administração do PT”, avalia.
Eleições
O Partido Verde possui pré-candidatos tanto para o governo estadual quanto para o federal. Fábio Feldmann é a indicação para governador de São Paulo e Marina Silva será o nome para disputar o Palácio do Planalto.
Para Paula, as eleições de outubro serão positivas para a legenda. “Há uma polarização entre Dilma Roussef (PT) e José Serra (PSDB), mas estão esquecendo que vem vindo aí um Nilson Costa que pode chegar lá. E se a Marina Silva for para o segundo turno, eu tenho certeza que ela será próxima presidente do Brasil”, observa, fazendo alusão ao pleito municipal de 2000, quando a eleição de Nilson Costa surpreendeu os bauruenses, numa disputa encabeçada até então por Pedro Tobias e Tuga Angerami.
“E mesmo não chegando, o PV é um vitorioso, porque o segundo turno vai depender do apoio do partido. Ou seja, o PV terá espaço no próximo governo, quer ele chegue ao segundo turno, quer não”, observa. “Aí sim, se nossos representantes locais forem eleitos, faremos uma bancada importante em Brasília e no Estado e vamos ter condições de angariar fundos para Bauru”, avalia.