09 de julho de 2026
Cultura

Num barquinho preso a uma linha...


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A mensagem dizia isso quando ele relembrou a conversa. Nem sei como o papo chegou lá. Só sei que de repente comentei com o Eto sobre a ilha de Capri e a grotta Azzurra. Para quem não sabe, a ilha, uma antiga colônia grega, fica no golfo de Nápoles, no maravilhoso mar Tirreno. Só existe uma água mais bonita que essa: a do mar Adriático. Mas, isso é outra conversa. Azzurra não tem similar no mundo. É indescritível e embora todos digam que até a atmosfera é azul, como fui visitá-la no inverno, acabo dizendo que suas águas iam do turquesa ao lilás, pode? Deve ser uma questão de iluminação.

Mas, a primeira vez que li algo sobre a gruta Azul foi na conhecida obra de Axel Martin Fredrik Munthe, “The story of San Michele”, publicada em 1929. Trata-se de uma autobiografia. Munthe tornou-se médico da Família Real Sueca e, aposentado, refugiou-se em Anacapri.

Desse retiro programado escreveu seu livro. Através dele, descobri e me interessei por Capri. A montanhosa ilha está dividida em duas partes: Capri com sua marina cheia de grandes embarcações, onde se misturam turistas de um dia, ricos europeus possuidores de casas de veraneio e os habitantes de Anacapri. Nesse povoado preservado de curiosos fica a vila San Michelle, a antiga residência de Axel. A badalada parte da ilha conhecida como Capri e a discreta Anacapri possuem um cenário mediterrâneo com vegetação tropical e uma luz azulada transparente onde sopra uma suave brisa com cheiro de mar. Pode-se ir à gruta em um barco grande, mas ao chegar perto do local fui avisada que, para entrar, era necessário mudar para um barquinho preso a correntes onde cabiam apertadinhas três pessoas e o barqueiro. A pequena entrada tende a ficar menor conforme a maré vai subindo então o passeio é curto... ou você fica retido na gruta até a água baixar. Será que alguma vez Tibério ficou preso lá?

Tenho pavor de água. Só a enorme curiosidade me fez entrar na tal casca de noz. Coincidentemente, minhas corajosas companheiras foram uma senhora judia e a filha que estavam a caminho de Jerusalém. Eram brasileiras de São Paulo e depois da aventura acabamos jantando juntas. A entrada? Caprese, a salada típica da ilha: mozzarela, tomate, orégano e azeite... e, com certeza, não era kasher! Valeu a pena? Sim, estou pasma até hoje com a beleza do lugar. Acredito que a grotta Azzurra seja um dos mais belos lugares do mundo!!!

A autora, colaboradora do Ju Machado escritório de arte, assina com o pseudônimo de Rosa Bertoldi.