10 de julho de 2026
Política

Romualdo se defende, mas deve sair

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto Pedro Romualdo atribuía a crise na Secretaria Municipal de Cultura à luta de um grupo ‘retrógrado’ de servidores por privilégios, o prefeito Rodrigo Agostinho discutia o problema em reunião. Ao final dela, admitiu que não havia saído a ‘fumaça branca’, ou seja, o nome do substituto ainda não havia sido definido. A expressão faz menção à eleição de um novo papa, anunciada pela chaminé da Capela Sistina, no Vaticano.

Segundo a reportagem apurou, um dos nomes cotados para assumir a pasta é o da professora universitária, artista plástica e curadora Janira Bastos. Ontem, a troca do comando na Cultura foi novamente cobrada do chefe do Executivo por vários profissionais da área. A frequência das ligações foi tanta que Rodrigo desligou o celular por algumas horas. Quando o religou, disse que ainda iria conversar pessoalmente com Pedro Romualdo.

“Estive com ele na quarta-feira, antes da reunião dos servidores. Quero conversar. Gosto muito dele. Ele ajudou muito na campanha, mas relacionamento é tudo. Fica uma situação muito complicada”, comentou o prefeito. Na opinião de Rodrigo Agostinho, a situação piorou depois que o ainda titular da Cultura classificou os servidores de retrógrados em programa de rádio, postagens no twitter e por meio de nota enviada ao JC.

“Se minha saída vier a se concretizar, prevalecerá o retrocesso na Secretaria Municipal de Cultura. Desde que ali cheguei, nomeado pelo prefeito Rodrigo Agostinho, para implementar as reformas que ele e toda a equipe prometeram durante a vitoriosa campanha eleitoral de 2008, tenho sido vítima da mais cruel e preconceituosa campanha realizada por um diminuto grupo de funcionários e entidades interessados em manter seus privilégios à custa do dinheiro público”, afirma o secretário.

Manipulação

De acordo com Pedro Romualdo, 18 servidores manipulados por três ou quatro interesseiros desleais, mancomunaram-se com dirigentes de entidades culturais, que pouco ou nada produzem, para pressionar o prefeito de modo que a Secretaria permaneça no velho estilo ao qual estavam acostumados a desfrutarem.

“Eu sempre tive que o cargo de secretário, como todos os cargos de confiança, são do prefeito e ele pode substituir seus integrantes a qualquer instante, quando lhe convier administrativa ou politicamente. Se concretizar minha saída, neste momento, só lamento que isso se faça sob a aparente pressão dos retrógrados”, consta em nota. Pedro Romualdo destacou que suas ações pela regularidade dos procedimentos incomodaram os que estavam acostumados a utilizar a coisa pública como se dela fossem donos exclusivos.

“Os meus opositores só querem que a desordem e a desorganização continuem. Mas isso é impossível, num governo que veio com a promessa de modernização e mudanças”, escreveu.

Desde a situação na Secretaria Municipal de Cultura tornou-se “insustentável”, como classificou o próprio prefeito na edição de ontem, Rodrigo Agostinho procurou o vereador Paulo Eduardo, membro do PSB assim como Pedro Romualdo.

“Ontem (anteontem) liguei para ele e devo conversar novamente. Ele está muito tranquilo em relação a isso. Me deu certa liberdade para fazer o que tiver de ser feito”, explicou o chefe do Executivo.

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Em nota oficial, secretário aponta realizações como o Carnaval

Em nota enviada à redação do JC, Pedro Romualdo destaca que sempre contou com o apoio do prefeito e elenca suas realizações à frente da Cultura. A primeira a ser apontada foi a volta do Carnaval ao Sambódromo. Citou a parte artística do Aniversário da Cidade, que levou 70 mil pessoas ao Vitória Regia, as duas Viradas Culturais e o Revelando São Paulo - eventos desenvolvidos em parceria com o governo do Estado.

“Apesar da feroz oposição dos contrários às mudanças, conseguimos a mobilização da grande maioria dos servidores. É com o trabalho deles que temos mantido a biblioteca central e as ramais, os museus e suas atividades e uma série de serviços internos e preparação para novos empreendimentos. Junto à equipe, criamos e alimentamos projetos como o Leitura Livre, Por-do-Sol, Saberteca, Bem-vindos a Bauru, Corpo Estável de Dança, entre outros”, escreveu.

Destaca ainda os recursos obtidos junto ao governo federal, na ordem de quase quatro milhões de reais. “Foi graças à nossa atuação na Secretaria Municipal de Cultura que conseguimos aprovar e estamos para implementar os 10 pontos de cultura pela cidade, acabamos de receber sinal verde do governo federal para a instalação de 51 telecentros”, informou.

Na área dos museus, informa ter montado a fase técnica e burocrática para o recebimento de duas verbas federais para a reforma da Estação Paulista - que abrigará o Museu da Imagem e do Som.

“Quanto aos passeios da Maria Fumaça, lembro que já os encontramos parados (desde setembro de 2008), quando mudaram as exigências para a sua realização, até então feita de maneira provisória. Já preparamos toda a documentação e esperamos para breve a autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para fazer a viagem em caráter definitivo e com toda segurança”, consta ainda na nota.

Pedro Romulado afirma que a execução da Lei de Estimulo à Cultura tornou-se uma grande baderna. “A Sociedade Amigos da Cultura e a ATB-Associação de Tetro de Bauru, não tiveram condições de apresentar projetos para 2009, pois não haviam cumprido o edital anterior. Fui ainda obrigado a enfrentar o problema da cantina do Centro Cultural, onde o permissionário não pagava aluguel porque, segundo comprovantes que depois apresentou, a Secretaria lhe devia grande importância em dinheiro resultante de lanches comprados sem empenho ou licitação, no governo passado”, acrescentou.