08 de julho de 2026
Geral

Leitura comercial pode levar à literatura

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Uma leitura comercial pode abrir as portas para gostar da obra literária. A possibilidade foi confirmada pela titular da Secretaria Municipal de Educação, Vera Caserio. Um aluno dela apaixonado pela coleção Harry Potter começou assim, comenta. “Foi um instrumento. Depois que começa a criar o hábito, passa a ler textos mais difíceis”, comenta.

Ela enxerga nas professoras de educação infantil, e na própria família, peças fundamentais nesse processo. “Quando a criança gosta de ouvir história, não precisa de aparato. Dá também para dramatizar, mostrar para as crianças o quanto as histórias são gostosas. Elas sentem prazer em ouvir e depois contar. Tem que ser algo relacionado à vida delas”, comenta.

Segundo Caserio, cabe ao professor descobrir formas diferentes de cobrar a leitura. Teatro, cartazes, slides ou entrevistas são algumas das formas. “Se ele ler sabendo que ao terminar fará uma prova, perdeu 90% do prazer da leitura”, comenta.

A situação piora quando esse tipo de cobrança recai sobre o adolescente que não desenvolveu o hábito durante a infância. “E ainda são apresentados livros que nada têm a ver com a vida dele. O primeiro passo é ler o que atrai”, comenta a secretária.

De acordo com ela, para facilitar o processo de leitura, as escolas municipais dispõem de salas de leitura, bibliotecas e professores que contam histórias. “As crianças manuseiam os livros. Livro não é para ver na prateleira. É projeto da Secretaria Municipal de Educação investir nas bibliotecas, nas salas de leitura, nas salas de multimeio. Vamos começar agora no segundo semestre, mas temos muitos projetos já iniciados em março”, comenta.

Entre os cinco tópicos de investimento da pasta estão a ampliação do acervo das bibliotecas, com foco na qualidade literária; o incentivo e apoio à implementação de projetos de leitura desenvolvidos pelas professoras nas escolas; troca de experiência entre escolas sobre projetos de incentivo à leitura e uso das bibliotecas; curso para implantação e melhoria do uso das bibliotecas de sala de aula durante o processo de formação continuada dos profissionais da educação municipal e curso de “Contação de história” para os profissionais da educação.

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Cozinha literária

Uma cozinha literária foi instalada na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Francisco Jr, o Zé do Esquinão, situada no Jardim Progresso, em Bauru. Coincidência ou não entre a pessoa que batizou a instituição e a iniciativa, os alunos lá matriculados (com idade entre 5 e 10 anos) têm um cardápio de atividades lúdicas que as estimulam a frequentar a biblioteca.

Constam no menu, por exemplo, a torta ‘era uma vez o autor’, cujo nome sai do forno para o trabalho coletivo, o ‘bolo da vovó’ (quando a mãe da mamãe vai à escola contar histórias) e a ‘sopa de letrinha’ para ajudar a formar as palavras. “Fomos conhecer uma escola em Bebedouro e adaptamos”, comenta a diretora da unidade, Cláudia Regina Matas Lopes. De acordo com ela, a Emef também contará com uma geladeira literária, que ficará no pátio à disposição de todos.

“Só falta decorar. Terá livros, revistas, gibis. Vamos estimular a leitura em todos os espaços de circulação”, explica Cláudia, que também é professora de língua portuguesa. Por enquanto, a biblioteca da escola, que conta com cerca de 2 mil títulos, pode ser usufruída apenas pelos alunos, mas a ideia é abri-la também à comunidade.

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Rede estadual de ensino

As escolas estaduais contam com dois programas para incentivar a leitura, segundo a dirigente de ensino de Bauru Angela Maria Furquim Carneiro. Um deles foi batizado como programa “Ler e Escrever”. “É dirigido para todas as crianças do ensino fundamental, por meio de um material seguido de acordo com o currículo das escolas. O professor tem o livro dele. Nesse material constam atividades de leitura para os alunos e atividades de leitura do professor”, explica.

Segundo Angela, o livro dispõe de diversos tipos de texto. “Para que possam desenvolver suas potencialidades e construir um futuro com perspectivas de inserção social ampla. Existe o que chamamos também de sala ambiente de leitura”, informa. Neste caso, os alunos têm acesso a livros, revistas, jornais, folhetos, catálogos, CDs, DVDs, vídeos e outros recursos complementares.

“As escolas envolvidas têm um acervo riquíssimo. Foi realizado um curso de formação para que os professores saibam como trabalhar esses materiais que não são apenas livros”, comenta. A sala ambiente não está disponível em todas as escolas. Já o programa “Ler e Escrever” é acessível a todos os alunos de ensino fundamental. “Tem leitura de textos, interpretação, dramatização e outros tipos de atividades. Os alunos podem criar e produzir textos, não só de leitura”, informa.

De acordo com a dirigente de ensino, o programa do Estado desperta a criança para o prazer de ler e não está articulado a uma atividade rotineira, enfadonha e cansativa, objeto de avaliação imediata, garante.

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Raphael leu 5 vezes o mesmo livro

Aos 9 anos, Raphael Cristiano Corrêa Joel Mendonça já leu cinco vezes “O macaco e o rabo’. Assim como a mãe Maria Rita, gosta de livros. Começou, no entanto, com gibis, a exemplo do primo. “Minha mãe ganhou um livro supergrosso do meu avô. Mas eu gosto de livros mais rápidos”, confessa.

Nas leituras mais longas, ele dá uma ‘enrolada’, como é o caso do ‘Cinema, Pipoca e Piruá’, 126 páginas. Segundo a mãe, o gosto por livros foi algo natural. “Nada foi imposto. Acredito que ele se sinta estimulado porque lemos em casa. Ele tem livros desde pequeno”, conclui.