08 de julho de 2026
Internacional

Segurança é tema da assembleia da OEA


| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - Começa hoje, em Lima, no Peru, a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), tendo como seu tema central, proposto pelo país anfitrião, a segurança na região. Os debates deverão enfatizar uma cobrança por mais transparência nas compras de armas.

A discussão da reincorporação de Honduras, suspensa da organização desde o golpe contra Manuel Zelaya, há quase um ano, não faz parte da agenda oficial. Os países centro-americanos, porém, prometem defender o fim da sanção, expondo uma vez mais as divisões na região sobre o assunto.

O esboço da declaração final foi aprovado na última semana, atendendo às preocupações do governo Alan García (conservador), que reclama do orçamento militar do vizinho Chile, com quem o país mantém uma disputa por limites marítimos em Haia.

Segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri), o Chile gasta pouco mais de 3% do seu PIB em armas - o segundo maior gasto relativo, depois da Colômbia. O Brasil lidera o ranking de gasto sub-regional em 2009 (US$ 26,1 bilhões, os gastos com pessoal incluídos), 16% de aumento sobre 2008.

O Sipri não vê uma “corrida armamentista’’ em curso. O texto, porém, foi desidratado dos parágrafos mais fortes, e sua negociação evidenciou as linhas distintas de atuação de EUA e Colômbia, por um lado, e de Brasil e Venezuela - e um mais um punhado de países -, por outro.

Defesa coletiva

Segundo o jornal “Folha de S. Paulo” apurou, Washington e Bogotá propuseram introduzir no texto o “direito de defesa coletiva’’. O conceito, que faz parte do escopo do Conselho de Segurança da ONU e da Otan, prevê que, em caso de ataque de um país, seus aliados têm o direito de responder como se fossem também atacados.

O parágrafo não agradou Brasil e Venezuela - que alega temer que um incidente armado com a Colômbia degenere numa ação militar dos EUA contra o país. De acordo com fontes diplomáticas brasileiras, Brasília e Caracas pediram, então, a introdução de texto rejeitando a presença de forças estrangeiras na região. Ao final, nenhum dos dois trechos passou.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, irá a Lima. A delegação brasileira será chefiada pelo secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota.