11 de julho de 2026
Articulistas

A quem interessa dispensar o secretário Pedro Romualdo?

José Antonio Milagre
| Tempo de leitura: 4 min

Já preconizava o pensador Gilbert Chesterton que “a intolerância pode ser aproximadamente definida como a indignação dos que não têm opinião.” Realmente nos causou espanto notícia publicada neste sábado, 5 de junho, acerca da suposta “situação insustentável” do atual comando da pasta da cultura bauruense. Na verdade, o senhor prefeito apenas consigna que se há unanimidade no meio cultural, a situação fica insustentável.

 Mas onde está tal unanimidade? Quem são estas instituições que remeteram carta ao chefe do Executivo em Bauru? Por que agem no anonimato? O que efetivamente contribuem para a cultura regional como integradora de todos os indivíduos e não fomentadora de eventos para públicos específicos? Será que os munícipes e aqueles que realmente vivenciam a vida cultural na cidade não devem ser consultados? Logicamente, estas vozes que encaminharam carta ao prefeito, supostamente descontentes com o secretário da Cultura atual, de longe não são todas as serem consideradas nesta decisão que caberá ao chefe do executivo local.

Como participante de eventos desenvolvidos e projetados por tal Secretaria, creio que compartilho a opinião de muitos, de que há movimentos nunca antes tidos na cidade. Discordo veementemente de que a Feira do Livro foi “amadora”, sendo que nunca antes na cidade tinha constatado eventos concomitantes e pluralidade de atividades lúdicas em tal exposição. Outros eventos foram excelentes para a cidade, com destaque para a Virada Cultural, com atrações de renome, longe de atrações meramente regionais de edições passadas. É um começo, para um município que nunca se destacou pela cultura local.

 Senhores, por justiça, há quanto tempo não tínhamos um carnaval como o de 2010? Vamos relembrar! O atual comando da Secretaria da Cultura trouxe novamente o Carnaval à cidade, eliminando a situação vexatória que vivia uma das maiores e expressivas cidades do Interior Paulista.

Quando que Bauru esteve inserida no contexto de inclusão digital? Agora, graças à preciosa condução de Romualdo, Bauru terá apoio do Governo Federal para instalação de 51 telecentros. Ora, caros leitores, não sejamos tolos, todos nós sabemos que muitos secretários de gestões anteriores, sequer sabiam “o que é um projeto”, o que dizer então de “escrever um”! Bauru sempre perdia oportunidades e mais oportunidades.

 Agora, falta de recursos financeiros é fato que não pode ser imputado ao atual secretário de Cultura. Ademais, por atuar com tecnologia da informação, estive presente para constatar a estrutura precária da informática das instalações da Secretaria da Cultura, e posso afirmar: isto decorre da negligência dos atuais gerentes ou coordenadores de TI do município. Não é só a cultura que esta precária! Aliás, não é a Cultura quem decide a estrutura informática de suas instalações (infelizmente, isso vem da Praça das Cerejeiras!)

Este introito é necessário para consignar o que é mais que evidente a qualquer homem mediano com poder de discernimento: não se trata de uma má gestão ou gerência da pasta da Cultura, mas da intolerância a mudanças de enraizados servidores, assombrados com o novo e como o acelerado ritmo de Pedro Ro-mualdo, que só vem a beneficiar Bauru.

 Infelizmente, não de hoje que sabemos que mudanças, principalmente na área pública, conduzem a duas posturas, ou a irresignação ou a revolta, ainda mais quando as liberalidades e libertinagens inconstitucionais de gestões anteriores são exterminadas, em prol do bem público. Assédio moral? Querer que os servidores simplesmente exercessem suas funções tal como estipulado em suas contratações públicas?

 Temos que destacar que a Secretaria da Cultura tem mais de 100 servidores, e apenas 18 estavam a incomodar o prefeito (quem tem mais o que fazer!), incriminando o secretário, como reação patológica às suas próprias e crônicas ineficiências adquiridas graças às maléficas e desidiosas administrações anteriores, permissivas e complacentes ao extremo, ao arrepio do principio da moralidade na administração pública. Infelizmente o pecado de Romualdo foi querer fazer com que os servidores apenas cumprissem o seu dever e “servissem”, representando o cargo publico delegado pelo povo. E todos nós aprendemos desde a velha quarta série que o progresso é impossível sem mudança e aqueles que não conseguem mudar suas mentes não conseguem mudar nada.

 Pedro trouxe as mudanças assim como a gestão Rodrigo tem trazido nítidas alterações perceptíveis à sociedade bauruense. Esperamos apenas probidade de nosso prefeito, para que saiba mensurar como administrador experiente, que tudo não passa de indignação dos quem não tem opinião, dos que anseiam nostálgicos pelos velhos tempos de inércia, tranquilidade e ociosidade, pouco importando que nossa cidade ficasse à margem dos sinais dos ventos e dos sinos, onde podemos ouvir em tons gar-rafais tais pessoas dizendo em tom insolente: “Não gostou do meu serviço, reclame com meu chefe, o prefeito”!

O autor, José Antonio Milagre, é professor universitário